Em noite cultural, SINAIT mostra filme Pureza aos novos Auditores Fiscais do Trabalho durante curso de formação, em Brasília


Por: Solange Nunes
Edição: Andrea Bochi
20/05/2026



A atuação da categoria na luta contra o trabalho escravo e o trabalho infantil, inserção de jovens e Pessoas com Deficiência (PcD) num ambiente de trabalho seguro, criação do SINAIT em 1988 e as lutas subsequentes pelo fortalecimento da carreira no Brasil foram alguns dos temas tratados durante a mostra do filme Pureza para os novos Auditores Fiscais do Trabalho que estão em curso de formação, em Brasília. Participaram da recepção aos novos, o presidente do SINAIT, Bob Machado, os diretores da entidade Rosa Jorge, Marco Aurélio Gonsalves e Renato Bignami e a diretora da Delegacia Sindical do SINAIT no DF, Nilza Maria de Paula Pires. Na ocasião, o diretor do filme Pureza, Renato Barbieri, conversou sobre a obra com os novos Auditores Fiscais do Trabalho. O encontro ocorreu, nesta terça-feira, 19 de maio, na sala do Cine Cultura Liberty Mall Shopping, no Plano Piloto.

Para Bob Machado, a história do SINAIT, as conquistas e o fortalecimento da carreira nas últimas décadas fazem parte de uma longa luta que teve à frente dirigentes comprometidos e empenhados com o sindicato e a Inspeção do Trabalho no país. “A atuação de cada dirigente do Sindicato Nacional buscava e busca a melhoria da carreira numa luta comprometida com o coletivo e a capacidade de se organizar politicamente”.

O presidente enfatizou a importância do sindicato e sua atuação para o crescimento e reforço do trabalho sindical nas conquistas da carreira. “Existe um preconceito generalizado em relação aos sindicatos de maneira geral. Claro que esse preconceito tem um endereço, claro, direcionado aos sindicatos, principalmente da iniciativa privada, em que há um interesse em enfraquecê-los para que possam ter menos força para lutar por mais direitos para os trabalhadores”.

No serviço público, continuou, “penso diferente porque estou no SINAIT e venho de uma história de luta política desde a minha infância. Mas é importante que cada um e cada uma de vocês tenha consciência disso. Vocês estão entrando no melhor momento da Inspeção do Trabalho da história. Só que este melhor momento tem várias etapas construídas por meio de gestões e muita luta, em que estiveram à frente Rosa Jorge, Rosângela Rassy e Carlos Silva, entre outros, contribuindo para a transformação e fortalecimento da carreira até hoje”.

Para Bob Machado, a força sindical precisa da participação de todos. “A força atual deriva de cada um e cada uma de vocês, da filiação de cada um e cada uma e, depois da filiação, obviamente, da ajuda, da participação e das mobilizações para defender essa carreira. Ninguém faz nada sozinho. E assim precisa ser a nossa expressão”.

Espírito de luta

A diretora Rosa Jorge reforçou na palestra com os novos Auditores Fiscais do Trabalho que o SINAIT é o maior sindicato de inspetores do trabalho no mundo. “O SINAIT foi construído porque nós também participamos da Constituinte de 1988 e, junto com as demais carreiras, exigimos que o servidor público pudesse se sindicalizar. Foi criado dois dias depois da promulgação da Constituição de 1988. É o mais antigo sindicato de servidor público do Brasil. Mas não é só isso. Ele foi construído por pessoas que, em primeiro lugar, amam a Inspeção do Trabalho e acreditam que só uma Inspeção do Trabalho forte consegue defender a classe trabalhadora”.

Rosa Jorge disse que o combate ao trabalho escravo como é feito no Brasil não existe em nenhum outro país. “Primeiro, muitos países se recusam a reconhecer que têm trabalho escravo lá. E o Brasil reconheceu. E, depois de reconhecer, começou a combater. E é o que os Auditores Fiscais do Trabalho têm feito. Mas fiscalizar o combate ao trabalho escravo não é a única tarefa. A gente retira a criança do trabalho, inclui aprendizes e PcD no mercado de trabalho, fiscaliza o Fundo de Garantia. A gente faz um monte de coisa. Vocês não imaginam a gama de competências que nós temos. É muito grande”.

Chacina de Unaí

A dirigente explicou que o Dia do Auditor Fiscal do Trabalho – 28 de janeiro – foi adotado por lei para lembrar a memória de três Auditores e um motorista que foram mortos numa emboscada na região rural de Unaí, em Minas Gerais, a apenas 167 quilômetros de distância da Capital Federal. “A morte deles não foi em vão, porque nós conseguimos, com muita luta, colocar todos na cadeia. Todos estão presos. Os Mânica, considerados entre os maiores produtores de feijão do mundo, estão presos. Foi o sindicato que conseguiu. Nossa luta foi para que novas mortes de Auditores Fiscais do Trabalho não voltassem a acontecer”.

Obra Pureza

O diretor Renato Barbieri contou um pouco dos desafios na elaboração do filme Pureza e também do documentário Servidão. “Rosa Jorge e Bob Machado, por meio do SINAIT, têm sido grandes parceiros, numa amizade de mais de 10 anos. O Sindicato Nacional foi uma das primeiras organizações a apoiar o projeto. Foi sensível e percebeu no papel o potencial de um filme e percebeu que o cinema pode ser um grande aliado nessa luta de combate ao trabalho escravo”.

O cineasta explicou que Pureza Lopes Loyola, que inspirou a história do filme 'Pureza', recebeu o prêmio internacional TIP Hero (Trafficking in Persons Hero), pela sua contribuição para a luta contra a escravidão e o tráfico de pessoas. O prêmio foi entregue pelo governo dos Estados Unidos da América, em Washington. “Pureza é a primeira mulher brasileira a receber a honraria”.

Realização de um sonho

Em curso de formação, os novos Auditores Fiscais do Trabalho Miliana Franco Ferreira, 38 anos, e John Vitor Halancaster de Oliveira Reitter, 29 anos, destacaram que entrar para a carreira de Auditor Fiscal do Trabalho foi a realização de um sonho.

Miliana Ferreira, com formação em Direito e Economia, natural de São Paulo e servidora pública, trabalhava na área de apoio para pessoas que sofreram violência doméstica e estava emocionada durante a mostra do filme Pureza. “Estou feliz porque é a carreira dos sonhos da maioria das pessoas que estão aqui”.

Para ela, a identificação com uma carreira que possui impacto social e permite ajudar as pessoas era um diferencial. “Trabalhava na área criminal. Após a decisão judicial, havia a pena e acabou. Em caso de violência doméstica, não. Você consegue contribuir de alguma forma para o processo de recondução e proteção da vítima. E consegui fazer esse paralelo com a auditoria. Você consegue ter esse impacto social com o trabalhador”.

John Reitter, engenheiro de formação, também vem de uma experiência como servidor público do Estado de Goiás, e o concurso do CNU 2024 foi o segundo certame que prestou. “Quando saiu o edital, pesquisei a carreira e confesso que me apaixonei. Como comecei a trabalhar muito cedo, vivi um momento em que não conhecia muito dos meus direitos trabalhistas e sofri muito. Por isso, senti-me representado”.

Segundo Reitter, houve também a questão da empatia. “O trabalho precoce e as experiências vividas, nem sempre satisfatórias, trouxeram-me ainda mais para perto da carreira. Foi um sonho que se criou e, desde então, está muito vivo”.

Convite para o 42º ENAFIT

Na ocasião, o presidente Bob Machado convidou os novos a participar do 42º Encontro Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (ENAFIT), que ocorrerá de 13 a 18 de setembro, com o tema central "Auditoria fiscal do trabalho: protagonista na proteção do trabalho humano", na cidade de Vitória (ES). Explicou que, paralelamente ao encontro, ocorrerá a 16ª Jornada Ibero-Americana de Inspeção do Trabalho, que conta com integrantes da Confederação Ibero-Americana dos Inspetores do Trabalho (CIIT) da Espanha, Uruguai e República Dominicana.

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