Um trabalhador metalúrgico caiu em um reservatório de água quente, usado para resfriar o ferro gusa em siderúrgica, em Divinópolis (MG). Ele teve 90% do corpo queimado e está em estado grave. Segundo os bombeiros que prestaram socorro à vítima, no momento do resgate ele estava de pé e consciente. Os primeiros socorros foram prestados pelos próprios colegas de trabalho, que resfriaram seu corpo com água.
Segundo as notícias locais, a Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Divinópolis, até esta manhã, não havia sido notificada do acidente. A unidade tem apenas oito Auditores-Fiscais do Trabalho para atender 46 municípios, uma situação comum a praticamente todas as gerências do Ministério do Trabalho e Emprego no país. A assessoria do Sinait tentou contato com a GRTE/Divinópolis para obter mais informações, porém, os telefones permaneceram ocupados.
Nas reportagens locais, sindicalistas reafirmaram as dificuldades dos Auditores-Fiscais do Trabalho para atender toda a região, que tem forte atividade siderúrgica. Segundo eles, muitas vezes, não há Auditores-Fiscais para atender as ocorrências rapidamente.
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Leia matéria do G1:
6-5-2013 – G1 Triângulo Mineiro
Um operário que caiu em um reservatório de água quente, nesta segunda-feira (6), em uma siderúrgica de Divinópolis, no Centro-Oeste do estado, está internado em estado grave no Hospital João XVIII, em Belo Horizonte. O metalúrgico teve cerca de 90% do corpo queimado.
O acidente aconteceu em uma siderúrgica em Santo Antônio dos Campos, um Distrito de Divinópolis. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a vítima de 32 anos trabalhava próximo a um reservatório de água, utilizado para resfriar o ferro gusa, quando caiu na água fervente.
"Encontramos a vítima de pé, consciente e orientada, sendo resfriada pelos funcionários da empresa com água. Envolvemos ele em uma manta para conservar a temperatura do corpo e foi aplicado um produto para hidratar a pele e diminuir a sensação de dor da vítima", disse o tenente Wanderson de Souza Araújo.
Na siderúrgica, ninguém quis falar sobre o caso. Na porta do local, a placa da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) informa que antes do acidente, o último foi registrado há 196 dias. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis, nos últimos quatro anos foram registrados cinco acidentes graves em empresas da cidade. "Tem muitas empresas que não são sérias, escondem acidentes de trabalho para não sofrer penalizações. A gente acredita que o número de acidentes na cidade é maior”, afirmou Anderson Willian Santos, coordenador administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos.
O representante do Sindicado afirmou ainda que os problemas se agravam por falta de fiscalização. "Infelizmente o estado não dá estrutura para a Delegacia Regional do Trabalho fazer as fiscalizações. Nós até então temos mandado notificações solicitando a presença deles, mas, como são poucos fiscais, a demora é grande."
A Gerência Regional do Trabalho de Divinópolis informou que até o momento não foi comunicada oficialmente sobre o acidente e que só realiza uma fiscalização quando há denúncia por porte do Sindicato ou de algum trabalhador. Em relação à quantidade de fiscais, a gerente da unidade, Pâmela Keiko Ohno, disse que o número é baixo. São oito fiscais para atender as empresas e indústrias de 46 municípios.