Produtor rural que preside a Cooperativa dos Produtores de Algodão do Cerrado Baiano foi autuado, em 2023, por Auditores-Fiscais do Trabalho, após resgate de 13 trabalhadores em fazenda no Piauí. Cooperativa aparece na lista de fornecedores da Vicunha, que exporta para empresas como Levi's, Lacoste e Hugo Boss
Com informações da Repórter Brasil
A Repórter Brasil publicou na terça-feira, 2 de junho, uma matéria sobre trabalho escravo em cadeia da indústria têxtil. A matéria mostra que a Vicunha, uma das maiores indústrias têxteis do mundo, fornecedora de grandes marcas internacionais como Levis, Lacoste e Hugo Boss, tem histórico de compras de algodão de uma cooperativa presidida por um produtor rural responsabilizado por trabalho escravo.
O produtor rural que preside a Coceba (Cooperativa dos Produtores de Algodão do Cerrado Baiano) foi autuado por Auditores-Fiscais do Trabalho, após o resgate de 13 trabalhadores em condições análogas às de escravo, na Fazenda Paulista, em Gilbués (PI). O flagrante aconteceu em novembro de 2023.
A Repórter Brasil teve acesso ao relatório de fiscalização dos Auditores-Fiscais do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, via Lei de Acesso à Informação.
Até a publicação da reportagem, o presidente da Coceba integrava a chamada Lista Suja do trabalho escravo, cadastro do governo federal que torna públicos os nomes de pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas administrativamente por esse crime.
Os trabalhadores resgatados faziam a limpeza do solo para o plantio de soja, conforme o relatório de fiscalização sobre o caso. De acordo com o documento, eles trabalhavam sem registro em carteira, não recebiam equipamentos de proteção, eram transportados diariamente para a fazenda na carroceria aberta de uma camionete e não tinham sequer banheiros no campo. Alguns deles não recebiam botas e trabalhavam de chinelo.
A atuação dos Auditores-Fiscais do Trabalho resultou na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta entre o produtor rural e MPT (Ministério Público do Trabalho). O empregador pagou R$ 65 mil em indenizações por danos morais coletivos.
Veja aqui a íntegra da matéria da Repórter Brasil sobre o trabalho escravo nesta cadeia da indústria têxtil.