MTE atualiza “lista suja” do trabalho escravo e cadastro chega a 613 empregadores


Por: Andrea Bochi
07/04/2026



O Ministério do Trabalho e Emprego - MTE divulgou, nesta segunda-feira, 6 de abril, a atualização semestral do cadastro de empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”. A lista totalizou 613 empregadores.

Nesta edição, foram acrescentados 169 novos casos, após a conclusão de processos administrativos em duas instâncias, com garantia de ampla defesa. As inclusões envolvem 102 pessoas físicas e 67 pessoas jurídicas, referentes a ocorrências registradas entre 2020 e 2025, em 22 unidades da Federação.

A nova atualização está associada ao resgate de 2.247 trabalhadores em situações de exploração. As atividades econômicas com maior número de inclusões foram serviços domésticos, criação de bovinos, cultivo de café e construção civil.

Criada em 2003, a “lista suja” é atualizada a cada seis meses e reúne empregadores que tiveram decisão administrativa definitiva por exploração de trabalho análogo à escravidão. Os nomes permanecem no cadastro por até dois anos, podendo ser retirados antes desse prazo mediante acordo de regularização com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e inclusão em lista de monitoramento.

Casos citados na atualização

Entre os nomes incluídos nesta atualização estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD.

No caso da BYD, a inclusão decorre de operação realizada em dezembro de 2024, na construção de uma fábrica em Camaçari (BA), quando trabalhadores estrangeiros foram flagrados por Auditores Fiscais do Trabalho em condições degradantes de alojamento e submetidos a restrições de liberdade e jornadas exaustivas.

Já o cantor Amado Batista foi incluído em razão de duas autuações ocorridas em 2024, em propriedades rurais localizadas em Goiás, envolvendo trabalhadores encontrados em condições irregulares.

Fiscalização e combate ao trabalho escravo

A atualização do cadastro reflete o trabalho contínuo dos Auditores Fiscais do Trabalho, que coordenam as operações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), que atua em todo o território nacional no combate a essa prática e atuam também nas equipes de combate ao trabalho escravo das Superintendências Regionais do Trabalho - SRTE.

Desde sua criação, em 1995, o GEFM já resgatou mais de 68 mil trabalhadores de condições análogas à escravidão e assegurou o pagamento de mais de R$ 160 milhões em verbas trabalhistas e rescisórias.

Confira aqui a íntegra da Lista Suja atualizada nesta segunda-feira, 6 de abril.

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