Chacina de Unaí – Delegacias Sindicais do SINAIT lembram os 15 anos de impunidade do crime


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
28/01/2019



Por Nilza Murari, com informações das Delegacias Sindicais do SINAIT


Além do ato público realizado em Brasília pelo SINAIT, os 15 anos da Chacina de Unaí foram lembrados também nos Estados, em atividades organizadas pelas Delegacias Sindicais do SINAIT. Auditores-Fiscais do Trabalho em atividade e aposentados se reuniram para protestar contra a impunidade de mandantes e intermediários que, apesar de condenados, continuam livres e impunes.


Em 19 de novembro de 2018, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região – TRF1 anulou o julgamento do mandante Antério Mânica e reduziu as penas dos já condenados Norberto Mânica, Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro. O SINAIT, as famílias e os Auditores-Fiscais do Trabalho não se conformam com essa decisão e consideram que o crime continua impune, sem justiça.


No Amazonas, em Manaus, os Auditores-Fiscais se reuniram na porta da Superintendência Regional do Trabalho e colocaram faixa e banner para chamar a atenção do público que se dirigia ao local.


Na Bahia, em Salvador, houve ato público na porta da Superintendência, com presença de Auditores-Fiscais, Servidores Administrativos e sindicalistas. Os Auditores-Fiscais usaram camisetas denunciando a impunidade e colocaram faixa para chamar a atenção dos usuários dos serviços. Também houve uma homenagem a Larissa Wanderley, Auditora-Fiscal do Trabalho que faleceu em julho de 2018 e foi ativa dirigente sindical no Estado.


No Ceará, em Fortaleza, na sede da Delegacia Sindical, mais de 50 Auditores-Fiscais se reuniram para celebrar o Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho e manifestar seu repúdio à impunidade que ronda o caso da Chacina de Unaí. A DS/CE também lembrou o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Os principais veículos de imprensa do Estado deram cobertura à atividade, entrevistando vários Auditores-Fiscais do Trabalho sobre os temas da Chacina de Unaí e do trabalho escravo. A oportunidade do encontro ensejou também uma confraternização em que os Auditores-Fiscais trocaram informações sobre a atual conjuntura dentro e fora da Fiscalização do Trabalho.


Em Belo Horizonte (MG), a DS/MG realizou um ato público no auditório da PUC Minas, na região central da capital. O auditório ficou lotado de Auditores-Fiscais do Trabalho, autoridades e sindicalistas, que solidarizaram-se com a luta da categoria em busca de Justiça, contra a impunidade dos mandantes e intermediários da Chacina de Unaí. A imprensa compareceu ao local, dando cobertura ampla ao evento. A DS/MG conseguiu espaço em programas de rádio e TV que serão divulgados oportunamente. Foi lançado um filme documentário sobre o crime, intitulado Chacina de Unaí – as dolorosas gotas de impunidade”.


Em Curitiba (PR), a Delegacia Sindical organizou manifestação em frente à Superintendência Regional do Trabalho. Cerca de 30 Auditores-Fiscais do Trabalho cobraram da Justiça o fim da impunidade pela morte dos colegas. “Em memória daqueles quatro servidores assassinados, estamos, mais uma vez, pedindo, e pediremos até que a justiça seja feita, com a punição pela lei aos mandantes do brutal crime” disse Valdir Oliveira Silva, presidente da Delegacia Sindical do Sinait.


Luize Surkamp, Chefe da Seção de Inspeção de Trabalho da Superintendência Regional no Paraná e Fábio Lantmann, Auditor-Fiscal, lembraram da dificuldade que tem sido o trabalho de fiscalização no Brasil, cada vez mais perigoso, colocando sempre em risco a vida do agente público, às vezes em situações muito próximas do que ocorreu com os colegas em Unaí.


Em Santos (SP), a Delegacia Sindical publicou anúncio no jornal A Tribuna de Santos e veiculou spot relativo aos 15 anos da Chacina de Unaí em rádios locais.


Atividade na Praça


No Pará, em Belém, a Delegacia Sindical realizou uma ação de conscientização sobre o trabalho análogo ao de escravo na Praça da República, centro de Belém, na manhã de domingo, 27 de janeiro. Em dia de movimento no local, os Auditores-Fiscais do Trabalho percorreram a praça, entregaram panfletos e conversaram com a população sobre a importância de denunciar para que a prática seja fiscalizada e extinta.


O coordenador de Fiscalização de Combate ao Trabalho Escravo no Pará, Raimundo Barbosa, conversou com várias pessoas e indagou se elas sabiam sobre o problema, que é crime previsto no Código Penal. "É importante esse contato com a sociedade, explicar que apesar das inúmeras campanhas, ainda existe o crime do trabalho escravo, e que é preciso persistir na luta, denunciar, fiscalizar e combater", disse Barbosa.


Na avaliação da estudante de Engenharia Elétrica, Safira Hagnes, o Brasil vive no século XXI, mas é um país retrógrado. "É inadmissível que ainda exista trabalho escravo atualmente. É preciso ampliar mais e mais as informações, pois, muitas vezes, o trabalhador nem sabe que está caindo em uma cilada. Este contato dos Auditores com a população é muito importante, é um alerta", ressaltou.


Itávio Paixão, presidente da DS-Sinait /PA, explicou que este tipo de crime infelizmente, chegou aos grandes centros urbanos, citando a cadeia produtiva de oficinas de costura como exemplo. "Hoje, o trabalho análogo ao de escravo, chegou até a cidade, a ousadia vai além das barracas de lonas e a água suja de rio, agora. Em muitas situações, as mercadorias têm como marca o trabalho escravo e isso é extremamente grave, porque a sua origem vem do tráfico de pessoas", alertou o presidente.


Paixão, também, se referiu à Chacina de Unaí como um exemplo de que o Brasil precisa de uma justiça mais forte. "Não podemos admitir que depois de 15 anos os mandantes ainda estejam soltos. O Brasil precisa mudar, precisa respeitar o cidadão. Poderia ter sido um de nós", exclamou.

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