Empresas dos setores automotivo e avícola são acusadas de abusos contra trabalhadores


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
07/06/2016



A montadora japonesa Nissan e mais quatro empresas gigantes do setor avícola são alvo de denúncias por abuso ao trabalhador. São elas a multinacional Tyson Foods, a Pilgrim’s Pride, pertencente à brasileira JBS, a Perdue Farms e a Sanderson Farms. Juntas, elas controlam 60% do mercado de aves nos Estados Unidos.


O United Auto Works Union (UAW), sindicato dos trabalhadores da cadeia automotiva e maior entidade sindical dos EUA, denuncia que a Nissan obriga funcionárias da fábrica situada no município de Canton, Mississipi, a usar fralda geriátrica.


O mesmo ocorre com os trabalhadores das quatro multinacionais da indústria avícola. A Organização Oxfam América, denunciou o caso por meio de um relatório publicado em maio desse ano, em que a imensa maioria dos 250 mil trabalhadores do setor nos EUA são forçados a usar fralda no ambiente de trabalho. O motivo é acabar com pausas e interrupções com idas ao banheiro.


A inadequação nas pausas no trabalho viola as leis norte-americanas de segurança no trabalho, mas, a situação degradante e humilhante acontece porque as metas das linhas de produção de frigoríficos são desumanas. Isso já vem sendo denunciado há anos em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.


No Brasil, embora não haja denúncias sobre trabalhadores não poderem ir ao banheiro, existe uma forte pressão para que os frigoríficos adequem as condições de trabalho. Em 2011, a ONG Repórter Brasil lançou o documentário Carne e Osso, que denuncia as condições de trabalho dentro desses frigoríficos.


Frequentemente, Auditores-Fiscais do Trabalho interditam frigoríficos, ou maquinas e equipamentos, por causa de falta de condições de trabalho. Os problemas encontrados colocam em risco à saúde e à integridade física dos trabalhadores e mostraram que as condições e o meio ambiente de trabalho ainda não estão totalmente adequadas às NRs 36 e 12, sobre Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos.


Entre os principais problemas relatados por funcionários brasileiros, e constatados pela fiscalização, estão os movimentos repetitivos que causam graves casos de LER (Lesão por Esforço Repetitivo). O documentário mostra casos de trabalhadores que foram mandados embora depois de sofrer acidentes na linha de produção. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, os casos são rotineiros, e não isolados. Um dos depoimentos do vídeo é do Auditor-Fiscal do Trabalho Paulo Cervo.


Walmart -  A rede internacional de supermercados Wal Mart é outra a adotar a prática abusiva do uso de fraldas em empregados. A situação já foi denunciada na Tailândia, sudeste asiático e divulgada  por pesquisadores no livro Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil, organizado pelo professor titular de Sociologia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ricardo Antunes.


Nissan - Em fevereiro desse ano, houve protestos no centro do Rio de Janeiro em frente à sede do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos – Rio 2016 contra as condições de trabalho impostas pela Nissan nos EUA. A marca patrocina o evento esportivo.


No dia 11 de abril, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, no Senado (CDH) promoveu uma audiência pública sobre a postura antissindical da montadora. Na ocasião, trabalhadores e sindicalistas americanos relataram o desrespeito aos empregados da Nissan, a exemplo de casos de assédio moral, para impedir a organização sindical da categoria.


Para os defensores do trabalho decente, a exemplo do Sinait, a política da Nissan é antidemocrática e não condiz com o significado da tocha olímpica, que simboliza uma competição justa, de jogos limpos e equilibrados, o oposto do tratamento que a Nissan tem dado a seus trabalhadores no Mississipi e em várias outras partes do mundo.


Com informações do site Metal Revista.


 

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