Uberlândia/MG: Auditores resgatam 21 trabalhadores de fábrica da Ambev


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
24/10/2013



Vinte e um trabalhadores foram resgatados em condições análogas às de escravos durante uma operação conjunta realizada por Auditores-Fiscais do Trabalho, Procuradores do Trabalho e Policias Militares. Eles trabalhavam na construção de uma fábrica de cerveja da Ambev em Uberlândia, próximo à BR-452, e eram mantidos sob vigilância armada feita pelo encarregado da obra.


A fiscalização ocorreu na madrugada de sexta-feira, 18 de outubro. Os trabalhadores eram, em sua maioria – 19, da cidade de Manoel Imídio, no Piauí. Havia também um da Bahia e outro de Pernambuco. Eles estavam em Uberlândia há cerca de três meses, atraídos por falsas promessas de pessoas que foram até a cidade deles para buscá-los para trabalhar. Foram contratados pela RRA Pisos Industriais Ltda, de Joinville/SC, que foi terceirizada pela empresa Marco Projetos e Construções, de Porto Alegre. O transporte foi feito em vans que apresentavam vários problemas como, por exemplo, a falta de limpador de parabrisas em período chuvoso.


O alojamento estava em péssimas condições de higiene, não havia colchões para todos os empregados e alguns eram obrigados a dormir na garagem da casa. Durante a ação fiscal, os empregados denunciaram que a refeição servida era azeda e que havia grande quantidade de insetos no local. As condições do ambiente de trabalho a que estavam submetidos configuraram o trabalho escravo, constatado pela equipe de fiscalização.


De acordo com o Auditor-Fiscal do Trabalho Amador Dias da Silva, que participou da fiscalização, foi constatada a jornada excessiva e exaustiva, além da falta de controle da jornada de trabalho. Em apenas um exemplo, uma turma que fazia polimento de piso trabalhou de 7h30 de um dia até a 1 hora do dia seguinte.


Amador informou que todos os trabalhadores retornaram às suas cidades de origem na madrugada desta quinta-feira, 24 de outubro e receberam o Seguro-Desemprego do trabalhador resgatado, uma vez que foi configurado o trabalho escravo. Também participaram da ação os Auditores-Fiscais Neusa Maria Moura Santos e Ronaldo Ramos Costa. Eles estão concluindo os relatórios da fiscalização.


De acordo com Juracy Alves dos Reis, Gerente Regional em Uberlândia, o canteiro de obras é muito grande e seria necessária uma operação mais ampla, no âmbito da Superintendência em Minas Gerais, para fiscalizar tudo. A Gerência, segundo ele, não tem Auditores-Fiscais suficientes para uma operação tão complexa. Na fase atual da obra são cerca de mil trabalhadores e a previsão é de chegar a cinco mil. O período previsto para a obra é de mais de quatro anos. “Essa caracterização de trabalho escravo foi em apenas um prestador de serviços”, disse ele.


A Polícia Militar informou que ainda são investigadas denúncias de agressões físicas sofridas pelos trabalhadores tanto no alojamento quanto no canteiro de obras. No período foram registrados dois Boletins de Ocorrência, em que os trabalhadores alegaram que estavam sendo ameaçados com armas.


Já a assessoria de imprensa da Ambev informou que ao tomar conhecimento da situação a empresa determinou a rescisão do contrato com a RRA Pisos Industriais Ltda e o encerramento das atividades no canteiro de obra de sua unidade. Além disso, irá acionar judicialmente a empresa contratada por descumprimento do contrato no que diz respeito às condições de trabalho de seus empregados.


Prisão


Durante a operação, o encarregado da empresa RRA Pisos Industriais Ltda, que estava armado no alojamento, foi preso em flagrante por porte ilegal de armas. A arma apreendida não tinha registro. De acordo com a fiscalização trabalhista, o empregado pagou fiança e foi liberado.


Veja matéria do MG TV da Sucursal do Triângulo Mineiro.


Com informações do Portal G1 Triângulo Mineiro e da GRTE/Uberlândia (MG).


 

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