Aprendizagem profissional vai além do cumprimento de cotas, diz Auditora-Fiscal do Trabalho em roda de conversa no DF


Por: Lourdes Marinho
Edição: Andrea Bochi
15/06/2026



A aprendizagem profissional foi tema de uma roda de conversa realizada pelo Conexão RH, no SEST SENAT de Samambaia, no Distrito Federal, nesta sexta-feira, 12 de junho. O encontro reuniu representantes do poder público, gestores de Recursos Humanos do setor de transportes e um jovem aprendiz para discutir os desafios e os benefícios do programa e aproximar empresas e especialistas.

A Auditora-Fiscal do Trabalho e coordenadora do Projeto de Inserção do Jovem Aprendiz no Estado do Paraná, Érika Medina, representou o SINAIT no debate, que contou com as participações de Patrícia Barros, da empresa Piracicabana; Maria Adriana, do SEST SENAT Nacional; e do jovem aprendiz Gabriel Alves Magalhães.

A Auditora-Fiscal destacou para os gestores de RH a importância social da aprendizagem profissional. “A contratação do jovem aprendiz não é apenas uma exigência legal. Aprendizagem profissional é muito mais do que cumprir a cota. É uma política pública de inserção dos adolescentes no mercado de trabalho”, afirmou.

Também respondeu a perguntas da plateia sobre temas trabalhistas como hipóteses de rescisão do contrato de aprendizagem e assédio no ambiente de trabalho, entre outros.

De acordo com Érika, a rescisão do contrato pode ocorrer por iniciativa do próprio jovem ou em razão de desempenho insuficiente. “Nesses casos, é necessário que a empresa formalize a avaliação de desempenho. Mas antes de qualquer medida mais drástica, alternativas como a mudança de setor podem ser adotadas para favorecer a adaptação do aprendiz”, orientou.

Sobre situações de assédio, informou que o Ministério do Trabalho e Emprego dispõe de materiais específicos voltados à proteção dos jovens aprendizes. Segundo ela, uma cartilha elaborada por especialistas da área aborda situações práticas que podem ocorrer tanto nas empresas quanto nas entidades formadoras.

Érika disse ainda que os adolescentes são o público prioritário da política de aprendizagem e que a contratação de aprendizes maiores de idade deve ocorrer de forma excepcional.

Segundo ela, ampliar as oportunidades para adolescentes contribui para o combate ao trabalho infantil, a redução da pobreza e a permanência dos jovens na escola. “O adolescente trabalha porque precisa, não porque quer. Se nós não dermos essas vagas prioritariamente para os adolescentes, eles serão empurrados para a informalidade e para a precarização”, alertou.

A Auditora-Fiscal também ressaltou o papel das empresas e das entidades formadoras na construção de oportunidades para os jovens.

Para os participantes do evento, a aprendizagem profissional representa uma porta de entrada importante para o mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que promove qualificação, inclusão social e perspectivas de futuro para milhares de adolescentes e jovens brasileiros.

Aprendizagem transforma vidas

O impacto da aprendizagem profissional foi retratado pelo depoimento do jovem aprendiz Gabriel Alves Magalhães, de 16 anos.

Aprendiz da empresa de transporte coletivo URBI desde janeiro de 2025, Gabriel atua no atendimento de manifestações de usuários por meio do SAC, Ouvidoria, WhatsApp e da plataforma Reclame Aqui.

Estudante do Centro de Ensino Médio 3 de Ceilândia Sul, ele contou que a experiência trouxe mudanças importantes para sua vida. “Muita coisa mudou. Agora eu tenho mais responsabilidade. O mercado de trabalho vai preparando a gente para a vida adulta”, afirmou.

Gabriel relatou que iniciou sua trajetória na aprendizagem entre os 14 e 15 anos e que a experiência representou uma transformação importante em sua rotina. “De uma pessoa que jogava bola, soltava pipa e brincava, é uma mudança profunda. A gente vai criando uma responsabilidade maior”, disse.

Além do desenvolvimento profissional, o jovem destacou que parte da remuneração recebida é utilizada para ajudar a família.“Eu ajudo na alimentação e também com algumas contas de casa”, contou.

O aprendiz também falou sobre seus planos para o futuro. Entre as possibilidades estão as áreas de jornalismo, publicidade, odontologia, música e carreira militar.

Ao encerrar sua participação, Gabriel agradeceu a oportunidade de compartilhar sua experiência. “É uma honra estar participando aqui com todos vocês. Muito obrigado pela oportunidade”, afirmou.

Conexão RH

O Conexão RH é uma iniciativa do SEST SENAT (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) voltada para a gestão de pessoas. Trata-se de um espaço de encontro e capacitação direcionado a líderes, gestores e profissionais de Recursos Humanos, majoritariamente do setor de transporte, mas aberto a outros segmentos.

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