Auditores-Fiscais da Superintendência Regional do Trabalho de Goiás - SRT/GO interditaram nesta quinta-feira, 25 de maio, a Central de Material e Esterilização – CME do Hospital Materno Infantil – HMI na capital, Goiânia. A operação foi deflagrada após denúncias graves de empregados do hospital e de representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás - Sindsaúde/GO. Além disso, foram detectados pela Auditoria-Fiscal do Trabalho a superlotação e desvio de atendimento do perfil HMI que é de alta e média complexidade. A ação fiscal foi iniciada em abril e está em curso. Além dos Auditores-Fiscais que coordenaram a operação, participaram ainda representantes do Ministério Público do Trabalho - MPT, Ministério Público Federal - MPF e do Conselho Regional de Enfermagem - Coren/GO.
De acordo com os Auditores-Fiscais do Trabalho, os espaços interditados representam um conjunto de áreas do hospital destinados a limpeza, esterilização, desinfecção de artigos, materiais, instrumentais para todo o hospital, usados pelos médicos e pela equipe de enfermagem, entre outros profissionais de saúde.
Além disso, por causa dos problemas da falta de controle da regulação estadual e municipal, os Auditores-Fiscais constataram superlotação e desvios de atendimento, fatores de risco ergonômicos, entre outras questões perigosas para os trabalhadores do hospital.
Eles verificaram ainda inexistência de fluxo unidirecional; uso de glutaraldeído - proibido na CME; falta de equipamentos de proteção individual e coletiva; falta de máquinas e equipamentos essenciais para o trabalho seguro e eficácia dos processos; vestimentas dos trabalhadores rasgadas, que deixam pele exposta; falta de vestiários, banheiros, pias; falta de climatização - calor excessivo; falta de máquinas para limpeza de materiais complexos - cânulas; pisos, paredes, teto com buracos, mofos; fiações elétricas expostas; risco de incêndio, e vários outros problemas que colocam os profissionais do hospital sob constantes riscos.
A equipe observou a falta de higiene ocupacional; de boas condições ergonômicas, que comprometem a segurança dos trabalhadores e a segurança dos processos da CME para os usuários. Outros problemas graves flagrados: superlotação e desvios de finalidade de atendimento provocados pelas prefeituras; encaminhamentos médicos indevidos de outras unidades de saúde para o HMI; ambulâncias de prefeituras sem profissionais de saúde que deixam pacientes sem regulação, sem a finalidade HMI.
A coordenadora da operação, Auditora-Fiscal do Trabalho Jacqueline Carrijo, considera graves os problemas constatados pela operação. “Atuamos visando a proteção do trabalhador. Em função de tantos problemas constatados pela Fiscalização do Trabalho, decidimos interditar as áreas da central de esterilização, visando exclusivamente a proteção dos profissionais envolvidos neste sistema de saúde”.
HMI
O HMI é um hospital público que funciona 24 horas e atende pacientes exclusivamente do Sistema Único de Saúde – SUS. O hospital presta serviços de assistência na área de pediatria, ginecologia e obstetrícia, de média e alta complexidade, além de realizar assistência em regime ambulatorial, emergência e internação.
Dados
Segundo informações do HMI, em 2016 foram feitas 7.361 internações; 14.729 consultas médicas ambulatoriais; 33.469 atendimentos de Pronto Socorro Pediátrico; 16.640 atendimentos de Pronto Socorro da Mulher; e 4.186 cirurgias.
De janeiro a abril de 2017 realizou 5.428 internações; 9.974 consultas médicas ambulatoriais; 19.650 atendimentos de Pronto Socorro Pediátrico; 8.667 atendimentos de Pronto Socorro da Mulher; e 2.017 cirurgias.