Com apoio do Sinait e como parte do Movimento Ação Integrada - MAI, o município de Monção (MA) recebeu, nos dias 12 e 13 de maio, o IV Encontro Inter-regional de Trabalhadores(as) Resgatados(as) do Trabalho Escravo. O evento foi uma promoção do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán – CDVDH/CB em conjunto com os trabalhadores, e apoiado por diversas instituições, além do Sindicato, que foi representado pela assessora especial Patricia Costa.
O Encontro reuniu resgatados do trabalho escravo e suas famílias, além de instituições públicas e privadas, pesquisadores e lideranças sociais comprometidos com o enfrentamento do problema. Além de debates, rodas de conversa e reflexões sobre a questão, os participantes assistiram a apresentações culturais realizadas por grupos de jovens de Monção e de Açailândia, apoiados pelo CDVDH.
Patricia Costa parabenizou a iniciativa e destacou a luta do Sinait pelo reforço da Inspeção do Trabalho, reivindicando a realização de novos concursos públicos. Ela informou que a carreira apresenta o menor número de Auditores-Fiscais do Trabalho dos últimos 20 anos – dos 3.644 cargos existentes, apenas 2.462 estão preenchidos.
O baixo quantitativo de Auditores-Fiscais também foi criticado pelo representante da Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão, e os trabalhadores presentes prestaram um reconhecimento especial à atuação da Auditoria-Fiscal do Trabalho nas operações de resgate.
Foi igualmente destacada por Patricia Costa a oportunidade promovida pelo Encontro de possibilitar aos homens, mulheres e jovens trabalhadores expressar livremente seus sonhos e anseios para as diferentes entidades e instituições ali representadas. “Se sonhar é ser livre de espírito, retomar a capacidade de sonhar é conseguir libertar-se no sentido mais profundo do termo”, afirmou Patricia, em referência à poesia apresentada por Janierle Santos durante o Encontro.
Em sua quarta edição, o evento foi uma oportunidade singular de compreender o trabalho escravo nos termos e segundo a visão daqueles que viveram as penas das condições análogas à escravidão. Foi também um momento para reforçar a luta em defesa dos direitos trabalhistas e acompanhar a atuação da Rede de Ação Integrada de Combate à Escravidão – Raice, criada em 2014 pelo CDVDH/CB e pela Comissão Pastoral da Terra - CPT de Tocantins. A ação ampliou o olhar sobre as comunidades mais vulneráveis ao trabalho escravo na região do Bico do Papagaio e no Piauí e contribui para o desenho de medidas conjuntas de prevenção e combate ao trabalho escravo no lugar.