Dezessete trabalhadores, com idades entre 18 a 24 anos, vindos de cidades do interior de Mato Grosso, concluíram o curso de formação em Aprendizagem rural em mecanização agrícola. Eles receberam os diplomas que os habilita para a nova profissão em uma cerimônia realizada no Auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem - Senar, Cuiabá (MT), na segunda-feira, 16 de maio.
Os formandos são filhos de trabalhadores resgatados e vulneráveis ao trabalho escravo. Todos já trabalharam em condições degradantes, situação que eles esperam ficar no passado, já que o presente lhes reserva novas oportunidades a partir da formação em uma nova profissão.
O curso oferecido pelo Movimento Ação Integrada, é uma iniciativa da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso, do Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso (MPT), da Universidade Federal do Mato Grosso, por meio do Núcleo de Assistência Social e de Direito, que conta com o apoio do Sinait e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O projeto conta, ainda, com diversos parceiros representantes do setor público, privado e da sociedade civil, como o sistema “S”, por meio do Senar, Senai, Senac e Sesi. Além de promover a qualificação profissional, os cursos contribuem para a valorização e aumento da autoestima dos alunos.
Um dos formandos, o trabalhador Laudeir de Carvalho agradeceu à equipe do Ação Integrada que os acompanhou durante o período de qualificação. Ele ressaltou a mudança que o curso irá promover em sua vida. “ Essa formação mudou meus objetivos, me deu novos horizontes”, declarou.
Dos 17 diplomados, oito já estão contratados. Eles vão trabalhar em empresas dos grupos Amaggi e Bom Futuro, proprietários das fazendas onde os trabalhadores fizeram as aulas práticas do curso que os capacitou para a nova profissão. Essas empresas são parceiras do Ação Integrada.
O Auditor-Fiscal do Trabalho e chefe da fiscalização da SRTE/MT, Eduardo de Souza Maria, participou da formatura dos trabalhadores. Ele reconheceu a luta desses jovens para se qualificarem e destacou as vantagens de se ter uma profissão. “Com uma qualificação o trabalhador enfrenta melhor os obstáculos que surgirão”, finalizou.
Ação Integrada - O Ação Integrada teve início em 2009 e viabiliza uma série de articulações com entidades públicas, privadas e da sociedade civil para discutir as variáveis que levam o trabalhador e sua família à condição de vulnerabilidade e ao trabalho escravo. Além disso, presta atenção às vítimas e suas famílias, além de identificar e estabelecer parcerias em prol de uma ação coordenada de combate ao trabalho escravo.
Parte dos recursos que bancam o projeto vem de multas referentes ao não cumprimento das normas trabalhistas ou de taxas resultantes de Termos de Ajustamento de Conduta pagos por empresas e proprietários que mantinham trabalhadores em condições de trabalho forçado e total degradância.
O Ação Integrada já realizou a abordagem de mais de 1.820 trabalhadores egressos do trabalho análogo à escravidão ou vulneráveis a essa situação em 83 municípios de Mato Grosso. Destes, 693 trabalhadores foram qualificados e alfabetizados pelo programa.