Nesta quinta-feira, 12 de maio, com a conclusão da votação – e aprovação – da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo Senado, o cenário político torna-se um pouco menos incerto do que nas últimas semanas. Se ainda sobram incertezas quanto aos rumos do governo de Michel Temer, agora presidente da República em exercício, pelo menos o Sinait saberá quem serão seus interlocutores pelos próximos meses e a quem se dirigir para cobrar que os acordos firmados sejam honrados imediatamente.
Mais uma vez, o Ministério do Trabalho, nossa casa, passará por mudanças e reestruturações, troca de ministros, secretários e assessores, assim como ocorrerá também em outras Pastas. E, também mais uma vez, o Sinait estará presente, pari passu, para situar o novo governo sobre o histórico e atual momento da categoria, e para exigir avanços e cumprimento de compromissos. Afinal, a luta empreendida ao longo do último ano não pode ser ignorada e os resultados obtidos devem ser concretizados por ações de governo e Parlamento.
De março de 2015 a março de 2016, a categoria dos Auditores-Fiscais do Trabalho se mobilizou por valorização da carreira, melhores condições salariais e de infraestrutura para sua atuação. O movimento culminou em uma greve nacional a partir de agosto de 2015, que contribuiu decisivamente para pressionar o governo a oferecer uma proposta de reajuste – 21,3%, divididos em quatro anos – e a criação do Bônus Eficiência para ativos e aposentados, que foi aceita pela categoria por meio de Assembleia Geral Nacional.
Em março deste ano, dois acordos foram assinados: o da pauta remuneratória com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MP e o da pauta não-remuneratória com o Ministério do Trabalho e Previdência Social – MTPS. Ambos foram resultados de muita luta do Sinait e da categoria, que realizou atividades em todo o país para mostrar a importância da Auditoria-Fiscal do Trabalho para a sociedade e os problemas enfrentados, que comprometem a atuação em defesa dos direitos dos trabalhadores.
Esta é uma etapa de nossa história de luta, da trajetória que construímos com união e força para obter resultados que diminuem, em parte, as perdas e prejuízos causados por anos de descaso, negligência e má gestão.
É o momento ideal para um governo que se diz novo e de mudanças, colocar em prática ações de valorização de uma das carreiras mais estratégicas da Administração Pública, deixando para trás, e de vez, tempos de tristes memórias, penúrias e dificuldades.
É hora de ficar alerta. A luta continua em defesa de nossos direitos e dos trabalhadores. As mudanças anunciadas para reverter a crise, como sempre, vão na direção de supressão de conquistas, de reformas previdenciária e trabalhista, de aprovação de projetos contra os quais viemos lutando e que são sinônimo de precarização e morte. Servidores públicos e trabalhadores serão os prejudicados.
A categoria deve estar, portanto, mais do que nunca, pronta para o chamado do seu Sindicato para, se preciso, retomar a pressão pelo cumprimento daquilo que é fruto de meses de negociações e que determinou a suspensão do movimento paredista! A conjuntura é difícil e complicada, mas não só para os Auditores-Fiscais do Trabalho. Todo o funcionalismo público está em alerta máximo, articulado para a luta conjunta. Retrocesso e estagnação não serão aceitos. Vitórias serão garantidas com garra, união e luta! É momento de manter a firmeza e cobrar o que está acordado. Os Auditores-Fiscais do Trabalho merecem e lutam por melhores dias!
Carlos Silva – Presidente do Sinait