Em entrevista à TV Rede Clube, retransmissora da TV Globo no Piauí, o Auditor-Fiscal do Trabalho e diretor do Sinait, Francisco Luís Lima, fala da necessidade de prevenção como forma de evitar os acidentes de trabalho.
De acordo com telejornal, dois trabalhadores morrem por dia no Estado, vítimas de acidentes de trabalho e a maioria são operários da construção civil. Este ano já morreram oito trabalhadores, sendo quatro da construção civil.
Luís Lima diz que com a verticalização das construções na área urbana, o problema se agravou, apesar da existência de normas rigorosas de segurança e saúde no trabalho “a exemplo das Normas Regulamentadoras 18 e 35”. Ele disse que não há, ainda, a preocupação com treinamentos, disponibilidade de equipamentos de proteção e adoção de medidas de prevenção.
Segundo Luís Lima, não adianta, após o acidente, as empresas estarem dispostas a prestar assistência à vítima, pois é fundamental que haja a cultura prevencionista, para evitar que o acidente aconteça. “Acidentes no trabalho não acontecem por acaso. Há toda uma metodologia que leva à ocorrência”, diz o Auditor-Fiscal. E acrescenta que, entre as causas, estão a utilização de equipamentos sem manutenção, com defeitos.
Os acidentes mais frequentes na construção civil, apontou Francisco Luís, são soterramento, queda e choque elétrico, cujas causas são totalmente previsíveis.
As mutilações são as principais sequelas de acidentes. Anualmente, 60% dos 700 mil acidentes que ocorrem no país são acidentes típicos durante o trabalho e “além deles, temos as doenças do trabalho e os acidentes de trajeto, que ocorrem em menor proporção”.
Francisco Luís ressalta que a falha, quando ocorre, é na estrutura do trabalho. “Não aceitamos, no mundo contemporâneo, a hipótese de atos inseguros do trabalhador, porque nenhum trabalhador quer se suicidar no ambiente de trabalho. A falha está no treinamento ou no controle da execução da atividade que exerce”, diz o especialista. Para ele, o treinamento está entre as principais ações de prevenção.
A cultura do empresário de que o capital é composto somente dos bens, segundo Luís Lima precisa mudar, pois também as pessoas e o ambiente de trabalho fazem parte desse patrimônio, “Quando houver o entendimento de que tudo faz parte da empresa e que os programas de prevenção não devem ser adotados apenas para os fiscais verem, mas para todos os trabalhadores terem conhecimento dele, aí, sim, teremos um ambiente de trabalho seguro e saudável”, concluiu.
Prevenção
Outra reportagem do telejornal aborda as doenças relacionadas à postura no trabalho, principalmente aquelas originadas por esforço repetitivo. Entrevistado, o diretor de um hospital piauiense declara que a qualidade de vida no trabalho resulta na redução do número de faltas do empregado, ratificando que a prevenção custa bem menos à empresa.
Confira as duas matérias nos links a seguir:
Entrevista do Auditor-Fiscal do Trabalho Francisco Luís Lima.
Matéria sobre doenças relacionadas ao trabalho. Clique aqui.