Recentemente, no Brasil, foi implantada a primeira linha telefônica por uma empresa só para receber denuncias de trabalho escravo. A iniciativa se deu depois que a fiscalização trabalhista constatou a existência de trabalho escravo em sua cadeia produtiva
Um grupo sem fins lucrativos financiado pelo Departamento de Estado Americano fundou o site Slavery Footprint que tem como finalidade mostrar a ligação do trabalho escravo com todos os tipos de produtos de uso diário, como eletrônicos, joias e roupas.
O nome do site significa "pegadas da escravidão", uma espécie de trocadilho com o conhecido termo "pegadas de carbono". A página procura apontar as áreas onde a organização acredita que a escravidão é provavelmente mais utilizada para fabricar esses produtos.
A intenção é envolver os consumidores no assunto para chamar a atenção sobre a necessidade de as pessoas agirem no combate a este tipo de crime. Consumidores conscientes podem exigir que as empresas selecionem cuidadosamente as cadeias produtivas para garantir que nenhum "trabalho escravo" seja utilizado na fabricação desses produtos.
Recentemente, no Brasil, foi implantada a primeira linha telefônica por uma empresa, a Zara, só para receber denúncias de trabalho escravo. A iniciativa se deu depois que Auditores-Fiscais do Trabalho constataram a existência de trabalho escravo em sua cadeia produtiva. A linha telefônica 0800-770-9242 entrou em operação no dia 14 de setembro só para receber denúncias de trabalho escravo na área da indústria têxtil e em outros setores, que serão encaminhadas aos órgãos competentes.
O caso da Zara, uma grife internacional, alerta para a necessidade de o consumidor ser um vigilante e um agente ativo, que contribui para o combate à escravidão contemporânea. Com certeza ajudará a combater a prática do trabalho escravo no país, uma vez que as operações para verificar as condições de trabalho são organizadas e deflagradas a partir de denúncias recebidas pela Divisão de Erradicação do Trabalho Escravo - Detrae, do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE. As denúncias chegam via Superintendência Regional do Trabalho e Emprego – SRTE, durante o plantão fiscal, ou pela ouvidoria do Ministério - pelo telefone 158 -, ou ainda, via Ministério Público do Trabalho – MPT, para posteriormente os Auditores-Fiscais do Trabalho partirem para o combate. A Comissão Pastoral da Terra também recebe denúncias e as encaminha à Detrae.
Mais detalhes sobre o site Slavery Footprint na matéria abaixo.
27-9-2011 – Portal IG
Site tenta envolver consumidores em combate a trabalho escravo
Por Andrew Martin
Você sabe quantos escravos trabalham em seu nome? Muitos podem presumir que a resposta a essa pergunta provocativa e inquietante é "nenhum", mas os criadores de um novo site querem demonstrar como o trabalho forçado equivale à escravidão.
Um grupo sem fins lucrativos financiado pelo Departamento de Estado americano fundou o site Slavery Footprint, cujo objetivo é mostrar que trabalhadores escravos estão ligados a todos os tipos de produtos de uso diário, de eletrônicos e joias a roupas.
Eles esperam envolver os consumidores no assunto para fazer com que tenham necessidade de agir a respeito, principalmente exigindo que as empresas selecionem cuidadosamente as cadeias de abastecimento de seus produtos para garantir que nenhum "trabalho escravo" foi usado na fabricação.
"O que estamos tentando fazer é tornar a questão um problema de todos", disse Luis CdeBaca, embaixador do Gabinete de Monitoramento e Combate ao Tráfico de Pessoas do Departamento de Estado. "As pessoas ficam horrorizadas quando descobrem o que está acontecendo."
O nome do site significa "pegadas da escravidão", uma espécie de trocadilho com o conhecido termo "pegadas de carbono". A página procura apontar as áreas da vida do consumidor onde a organização acredita que a escravidão é provavelmente mais utilizada para a fabricação de produtos.
O site define um escravo como "alguém que é forçado a trabalhar sem remuneração, sendo explorado economicamente e incapaz de se afastar dessa situação".
O Departamento de Estado estima que existam 27 milhões de escravos no mundo. O site orienta os usuários através de um conjunto de perguntas, através das quais define onde eles vivem, em que tipo de habitação vivem, quantos filhos têm, quantos carros usam, o que comem e que tipos de coisas compram. Depois, oferece uma pontuação numérica de quantos escravos os usuários têm a seu serviço. A média é de 55.
O site foi criado pelo Fair Trade Fund (Fundo de Comércio Justo, em tradução literal), um grupo sem fins lucrativos com sede na Califórnia, que usa a mídia para promover a defesa de questões problemáticas, especialmente a escravidão humana. Entre seus projetos estão o "Call+Response", um filme sobre o tráfico de escravos, e o Chain Store Reaction, um site que encoraja os consumidores a enviar emails para empresas desafiando-as a definir suas políticas sobre o tráfico humano.
As respostas das empresas, ou a falta delas, são publicadas no site.
Com base no filme e no site, o Departamento de Estado procurou o Fair Trade Fund para criar o site Pegadas da Escravidão com uma doação de US$ 200 mil.
Justin Dillon, 42, presidente-executivo da organização, disse que o site não tem empresas específicas como objetivo.