Evoluir, superar preconceitos e ideologias faz parte do processo de investigação de acidentes de trabalho, é o que alertou o Auditor Fiscal do Trabalho Luiz Gustavo Magalhães Costa Meneses (PI) durante o painel “Análise de Acidentes de Trabalho: teoria, discurso e prática de abordagem pela Inspeção do Trabalho”, que ocorreu nesta terça-feira, 15 de setembro, no Centro de Convenções Vitória, na capital capixaba. Coordenaram a exposição, o diretor do SINAIT Francisco Luís Lima (PI) e o Auditor Fiscal do Trabalho José Carlos Batista (ES).
De acordo com Luiz Gustavo, o material analisado – que faz parte de uma pesquisa realizada no âmbito da dissertação de mestrado em Ergonomia, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi publicado em um artigo na Revista Laborare (Ano VIII, Número 14, 2025) – e agora é apresentado durante o 42º ENAFIT.
Segundo ele, a pesquisa não pretende fazer críticas às análises realizadas no âmbito institucional, mas sim, apontar as inconsistências, as deficiências que precisam ser melhoradas, tanto na superação de preconceitos e ideologias que ainda associam as causas do acidente ao comportamento do trabalhador. Como, também, na reconstrução do Auditor Fiscal para fazê-lo entender que o acidente é causado por múltiplos fatores. “É um evento complexo que tem causas ligadas a tarefas, como ela é prescrita, o modo como o trabalhador gerencia, do ponto de vista cognitivo e psíquico, a atividade”.
Para Luiz Gustavo, a análise de acidente, é um mundo de conhecimento que representa, sem dúvida, um desafio para os Auditores Fiscais do Trabalho. “Mas, nós precisamos assimilar para evoluir nessa competência que é tão importante para a carreira. No entanto, precisamos estar prontos para o desafio de emergir na análise de acidente de trabalho, uma vez que, não conseguimos saber de tudo, nem reter os conhecimentos que a gente adquiriu”.
Destacou, ainda, que cada acidente de trabalho tem uma história e acontece num processo produtivo. “Então a gente não precisa, não pode ter medo de estudar e de aprender. Não aparecem apenas as normas de segurança e saúde, mas o próprio processo, o modo como ele acontece do ponto de vista físico, organizacional”.
No processo, continuou Luiz Gustavo, não se pode ter medo de aprender. “Tem que ter a humildade de reconhecer que a gente não sabe de tudo e que precisa, de fato, mergulhar no processo das empresas, não apenas nas normas de segurança e saúde, para compreender como as coisas funcionam dentro da empresa e reconstruir a história e apontar fatores determinantes que prevejam novos acidentes”.
Importância do 42º ENAFIT
Luiz Gustavo elogiou o evento como um todo. “O propósito do encontro e o de reunir os Auditores Fiscais a fim de discutir, debater os problemas da categoria, redefinir estratégias para que a gente continue avançando nas pautas de interesse da categoria é fundamental”.
Por outro lado, continuou “reunir as pessoas para promover esse encontro físico, essa troca de ideias, num mundo ultra conectado está cada vez mais raro. Então, acho que o ENAFIT com essa troca de ideias presencial, o debate flui mais, rende mais, quando a gente se encontra presencialmente”.
Luiz Gustavo disse ainda que, o outro propósito do encontro, que vai na linha da apresentação dos temas, é a oportunidade de mostrar, ou de fazer, abertamente, sem medo, autocríticas. “É importante poder expor aqueles aspectos que a gente precisa evoluir. E esse foi o propósito do nosso trabalho no espaço do ENAFIT”.