Os números de inserção de jovens aprendizes no mercado de trabalho brasileiro estão em crescimento. Considerando os 26 estados e o Distrito Federal, entre dezembro de 2022 e janeiro de 2026, houve um aumento absoluto de 200.592 vínculos, o que representa uma expansão superior a 41%. Os dados são do Painel de Informações da Aprendizagem (RAIS 2024) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com informações atualizadas até janeiro de 2026.
O Nordeste saiu na frente com 50% em números de inserções, registrando em janeiro de 2026, 122.133, enquanto em dezembro de 2022, 81.348 inserções, com um aumento de 40.785. Enquanto, o Sudeste também apresentou aumento significativo de 43%, registrando 326.342 (2026) e 227.640 (2022) num aumento efetivo de 98.702 inserções de jovens aprendizes.
Fluxo de crescimento também nas outras regiões do país, como, Norte 37.235 (2026), 26.579 (2022) num percentual de aumento de 40%. No Sul, 132.464 (2026) e 96.974 com aumento de 37%. Enquanto o Centro-Oeste registrou 65.903 (2026) e 50.944 (2022) representando um aumento de 29%. Os números registrados são janeiro 2026 e dezembro 2022.
De acordo com a coordenadora nacional do Projeto de Inserção de Aprendizes, Taís Arruti, os números são significativos e representam o resultado direto de ações dos Auditores Fiscais do Trabalho e da Inspeção do Trabalho e devem ser celebrados em todas as regiões do país. “Atribuo especialmente as modernizações que a fiscalização tem implementado, ao longo desses anos, ao investir em novos sistemas, em metodologias mais modernas e mais robustas, para que os Auditores Fiscais do Trabalho consigam alcançar um maior número de empregadores”.
Além disso, continuou a coordenadora nacional, a aferição das contratações registradas pelos dados do Caged, observa que todas as regiões apresentaram um índice de crescimento na contratação de jovens aprendizes. Neste contexto, houve também reforço com a fiscalização. “Aumentamos o número de forma bastante robusta de fiscalizações. De 12/2022 a 12/2025 foram realizadas 168.696 operações em todo o país, sendo 382.915 aprendizes inseridos sob ações fiscais, nesse mesmo período”.
Política
De acordo com Taís Arruti, apesar da vitória, neste momento, com o aumento da inserção, o Projeto de Inserção de Aprendizes sofreu vários reverses em razão de fatores políticos. Segundo a coordenadora nacional, antes de 2022, houve muita instabilidade da legislação em razão da movimentação política. “Neste contexto, houve tentativas de medida provisória alterando a lei, mudança de decreto, mudança de portaria. Diversas tentativas de mudanças na legislação que criaram uma instabilidade jurídica, por causa da instabilidade política que represou o avanço dos números. E, no entanto, a partir de 2023, com a chegada do novo governo, a estabilidade política promoveu a segurança jurídica de lá para cá”.
Nesse cenário, explicou Arruti, os normativos anteriores que haviam perdido vigência durante o governo anterior, voltaram a vigorar da forma que estavam. “Criou-se aquele momento de confiança, tanto por parte dos órgãos fiscalizatórios, como por parte da sociedade. Então, as empresas passaram a ter segurança, a legislação não mudava o tempo todo. Isso também facilitou, impulsionando o número de contratações no país”.
Para a coordenadora nacional, esses dois fatores são os grandes motivadores. “A fiscalização aumentou, investiu muito em sistemas e aumentamos sobremaneira o número de estabelecimentos fiscalizados e, consequentemente, o número de aprendizes contratados em razão da estabilidade política e jurídica, ao longo desses últimos anos”.
Luta pela aprendizagem
Para Taís Arruti, ao longo das mudanças na legislação, como no caso da Medida Provisória nº 1.116/2022, o SINAIT se posicionou firmemente em defesa da aprendizagem profissional. À época, coordenadores de fiscalização da área entregaram seus cargos coletivamente da função, nas 27 unidades da federação, em reação à medida, que autorizava empresas em descumprimento da cota a aderirem a um projeto com efeito de desobrigação na contratação de aprendizes. “A MP colocava em risco milhares de vagas de aprendizagem em todo o País. Fomos para a luta junto com o Sindicato Nacional e conseguimos reverter a situação”, afirmou.