Em agosto de 2025, no julgamento em primeira instância, a Justiça do Trabalho reconheceu o crime e condenou a empresa ao pagamento de R$ 165 milhões aos trabalhadores por danos morais coletivos. Com informações do Nepp-DH da UFRJ
Nesta terça-feira, 24 de fevereiro, o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT8 – Belém) realiza julgamento em 2ª instância sobre o caso de trabalho escravo envolvendo a empresa Volkswagen. O caso refere-se à acusação de que a montadora alemã, nas décadas de 1970 e 80, mantinha centenas de trabalhadores em situação análoga à escravidão na fazenda Vale do Rio Cristalino, de 139 mil hectares, no município de Santana do Araguaia, no sul daquele estado.
Em agosto de 2025, no julgamento em primeira instância, a Justiça do Trabalho reconheceu o crime e condenou a empresa ao pagamento de R$ 165 milhões aos trabalhadores por danos morais coletivos. O padre e professor Ricardo Rezende Figueira, coordenador do Grupo de Estudos de Trabalho Escravo Contemporâneo (GPTEC), vinculado ao Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos Suely Souza de Almeida (Nepp-DH) da UFRJ, atua como informante do caso pelo seu trabalho à época na região.
Rezende diz que, além dos processos movidos no Brasil, há também um movimento para responsabilizar a empresa nas instâncias alemãs. “Estive em Freiburg e em Berlim (Alemanha), em dezembro de 2025, discutindo com organizações de direitos humanos a proposta de uma ação jurídica naquele país contra a empresa”, comenta.
Em Belém, Instituições e entidades que combatem o trabalho escravo, estão se organizando para, nesta terça-feira, dia 24 de fevereiro, comparecerem ao local do julgamento, que será realizado na sede do TRT da 8ª Região, em Belém. O SINAIT, a clínica de combate ao trabalho escravo da UFPA, - Frei Henri Burin DesRosiers, o Instituto Dom Azcona e Irmã Henriqueta de Direitos Humanos - IDAH, a Coetrae/PA, CPT/PA,ATEP/PA, Abrat, Coletivo Veredas, GPTEC/UFRJ, Comissão de Combate ao Trabalho Escravo da OAB/PA e a Jutra Seção Brasil apoiam o julgamento.
No dia 6 de março está marcada, na comarca de Redenção, no Pará, a primeira audiência para julgamento por danos morais individuais. Os trabalhadores reivindicam o pagamento de indenizações no valor de R$ 2 milhões.
Veja na matéria em vídeo, do jornal A Crítica Brasil, mais informações sobre o caso.