Auditor-Fiscal recebeu denúncia durante panfletagem no Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Na mesma fazenda, mais quatro trabalhadores estavam em situação irregular
Após receberem denúncia anônima, o Auditor-Fiscal do Trabalho Kleber Pereira Araújo e Silva resgatou sete trabalhadores encontrados em condições análogas às de escravos, de uma fazenda em Bataguassu, a 335 km de Campo Grande (MS). De acordo com ele, os sete trabalhadores faziam extração de raízes e pulverização manual de veneno sem uso de Equipamentos de Proteção Individual - EPIs.
A operação de resgate ocorreu no último sábado, 28 de janeiro, e fez parte das ações de conscientização sobre o trabalho escravo, em razão da data, que marca o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Kleber disse que fazia panfletagem de conscientização no Posto 21 em Campo Grande, localizado na BR-163, na saída para Dourados, quando recebeu a denúncia. No local também havia policiais rodoviários federais e procuradores do Trabalho. "Recebi a denúncia e diante da informação fomos até o local e constatamos que sete pessoas estavam alojadas em situação subumana", afirmou.
A fazenda, que tinha como atividade principal a criação de gado, era bem estruturada e possuía outros quinze trabalhadores registrados e trabalhando em situação regular. Os sete resgatados tinham chegado à fazenda por intermédio de um “gato” e estavam há dois anos trabalhando sob coação e em condições degradantes.
Os empregados eram submetidos a jornada exaustiva, viviam em alojamentos precários, estavam em situação de vulnerabilidade e eram impedidos de saírem do local em razão de dívidas contraídas com o patrão.
Os trabalhadores estavam alojados em barraco sem energia elétrica, compartilhavam uma fossa séptica, bebiam água com indícios de contaminação por esgoto, fezes de animais e agrotóxicos usados na plantação. A alimentação era precária, alguns faziam a primeira refeição por volta das 17 horas. Eles se alimentavam de animais silvestres como tatu, além de dividirem espaço com porcos, galinhas, ratos e rações de animais. Os trabalhadores foram recrutados depois de receberam proposta de trabalho digno e com direitos trabalhistas.
Segundo o Auditor-Fiscal, os trabalhadores recebiam diárias equivalentes a R$ 30,00, das quais eram descontados os gastos com materiais básicos de higiene e alimentação, como papel higiênico, sabões e itens alimentícios, que eram comercializados pelo patrão a preços bem acima dos praticados pelo comércio local. Os trabalhadores são de diferentes regiões do Nordeste, interior de São Paulo e de Bataguassu, município onde a fazenda está localizada. "Essas pessoas normalmente são coagidas e as denúncias precisam ser feitas para que as autoridades competentes possam agir e coibir condições de trabalho análogas à escravidão", enfatiza Kleber Pereira.
Além dos sete trabalhadores, outros quatro que faziam a manutenção de cerca foram flagrados sem registro em Carteira de Trabalho, sem EPIs e outras situações irregulares.
O Auditor-Fiscal colheu depoimentos dos trabalhadores, que foram retirados da fazenda e alojados na cidade. As diárias do hotel estão sendo pagas pelo dono da fazenda.