Auditores-Fiscais do Trabalho, representantes da Secretaria de Inspeção do Trabalho – SIT, da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho – ANPT e entidades parceiras do Sinait fortaleceram ato público pela prisão dos mandantes da Chacina de Unaí, nesta terça-feira, 25 de janeiro, em frente ao prédio do Tribunal Federal Regional da 1ª Região - TRF1, em Brasília (DF).
A secretária de Inspeção do Trabalho, Maria Teresa Pacheco Jensen, disse que a morte dos Auditores-Fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva e do motorista Ailton Pereira de Oliveira marcou toda a categoria. “Foi algo muito duro porque eles estavam atuando pelo Estado na defesa de trabalhadores. Somos Auditores-Fiscais e também corremos riscos”.
Segundo a secretária, as mortes e os recursos protelatórios representam uma ferida aberta na instituição e nas famílias dos Auditores-Fiscais, que não cicatriza. Por isso, explica ela, agora é a vez do Poder Judiciário trazer uma resposta definitiva. “Enquanto não houver uma decisão final, nós não sossegaremos”. Ela enfatizou ainda que a resposta não é algo apenas institucional. “As famílias querem que os responsáveis sejam punidos exemplarmente”.
O presidente da ANPT, Ângelo Fabiano Farias da Costa, reforçou a parceria com o Sinait em favor da sociedade e do trabalhador brasileiro. Além disso, enfatizou a solidariedade com a entidade na aplicação da justiça pela morte dos Auditores-Fiscais do Trabalho numa estrada rural, no município de Unaí, no interior de Minas Gerais. Segundo ele, “é um crime que, além de estraçalhar as famílias dos Auditores-Fiscais, também estraçalhou o Estado e a sociedade brasileira”.
Ângelo Fabiano acredita que no próximo ano, o ato poderá ser feito com uma veia diferente. “Estaremos comemorando a aplicação da justiça e efetiva prisão dos mandantes do crime e dos intermediários”.
Ele disse ainda ao presidente do Sinait, Carlos Silva, que a entidade pode contar com o apoio da ANPT contra as ameaças de desmantelamento da SIT.
O presidente da Confederação Iberoamericana de Inspetores do Trabalho, o uruguaio Sérgio Voltolini, reforçou os discursos anteriores dizendo que espera que a justiça seja célere nesta etapa. “Esperamos que até o final do ano os recursos sejam julgados e o TRF1 tome a decisão efetiva para que não se prolongue o sofrimento das famílias”.
Carlos Calazans, diretor chefe das Relações Trabalhistas e Sindicais do Governo de Minas Gerais, que na época da Chacina de Unaí era Delegado Regional do Trabalho de Minas, disse que o dia do crime foi o pior da sua vida. “É uma data marcante que nunca vou esquecer”. Além disso, Calazans mostrou-se temeroso com o futuro. “Já se passaram 13 anos e os mandantes continuam soltos e brevemente os executores já estão recorrendo para deixar a prisão. A situação parece uma tragédia que não termina”.
13 anos de sofrimento
As viúvas dos Auditores-Fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonsalves, Marinês Laia; João Batista Soares Lage, Genir Lage; e de Nélson José da Silva, Helba Soares, participaram do ato e pediram pela prisão dos mandantes da Chacina de Unaí.
Marinês Laia disse que são 13 anos de sofrimento. “Viemos aqui pedir justiça. Os mandantes já foram condenados e deveriam estar na cadeia”. Segundo ela, só com a prisão deles a história pode ser encerrada. “Apesar da dor nunca ter fim”.
Genir Lage disse que acha importante participar dos protestos pedindo justiça. “É um compromisso importante na minha vida que não posso deixar passar”. Ela declarou ainda que, apesar das dificuldades, “é preciso continuar pedindo justiça e agradeço ao Sinait por todo o apoio e pela luta que vem travando até hoje”.