Entre as nove vítimas fatais havia empregados da farmácia, o que motivou a fiscalização
Auditores-Fiscais do Trabalho da Gerência Regional do Trabalho – GRT/Camaçari, na Bahia, estão investigando as causas de um grave acidente ocorrido na tarde de quarta-feira, 23 de novembro. Um incêndio seguido de explosão em uma farmácia matou nove pessoas e deixou outras 14 feridas. Depois da explosão, a laje desabou.
Entre as vítimas havia empregados da farmácia. Isso motivou a fiscalização dos Auditores-Fiscais do Trabalho, que estiveram no local no dia 24. Eles vão apurar as causas da explosão que provocou o desabamento da laje.
Os Auditores-Fiscais informam que havia uma obra de reforma no estabelecimento comercial, mas que a farmácia continuou funcionando. A realização da obra não foi comunicada ao Ministério do Trabalho, o que é obrigatório pela Norma Regulamentadora – NR 18, sobre Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção.
No local havia uma intervenção de manutenção na estrutura metálica do telhado. Foram encontrados perfis metálicos, cilindro de oxigênio e botijão de GLP. Serviços de corte de chapas, explica o Auditor-Fiscal Amaurílio Alencar, “devem ser realizados com mistura do oxigênio com o acetileno. Não é adequada a utilização de botijão de gás GLP para esta finalidade. Além disso, há necessidade de instalação de válvula corta chama, para evitar o retrocesso do fogo até o cilindro”.
Alencar disse que “o acidente pode ter muitas causas e uma série de pequenos erros se sobrepõem resultando em fatos graves, como este que, lamentavelmente, tirou a vida de várias pessoas”. De acordo com ele, a inspeção visual realizada permite algumas conclusões. O local da explosão tinha pouca ventilação e pode ter havido concentração de gás. A explosão pode ter sido provocada por uma fonte de ignição, como solda ou corte de metal, decorrente dos serviços de reforma. O rompimento de uma viga pode ter sido a causa do desmoronamento e da tragédia.
O Auditor-Fiscal Mateus Nascimento, que também participou da inspeção, observa que o fato de haver apenas um acesso à farmácia, aliado à execução da reforma sem o fechamento do imóvel, revela falta de planejamento e inexistência de análise prévia de riscos. A entrada da loja foi a menos afetada e o teto era de PVC, material de fácil combustão.
Os Auditores-Fiscais emitiram um Termo de Notificação para a empresa prestar os esclarecimentos e apresentar documentos no dia 1º de dezembro, na sede da GRT/Camaçari. Todos os esforços serão empreendidos para esclarecer as causas e apontar os responsáveis pelo grave acidente.