Situações de grave e iminente risco aos trabalhadores foram encontradas em vários setores do Terminal de Passageiros 2, durante operação fiscal entre os dias 20 e 27 de outubro, no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Os locais foram interditados por Auditores-Fiscais do Trabalho, incluindo a área de manutenção e engenharia da empresa aérea TAP e o balcão de check-in.
O setor da TAP ME foi interditado parcialmente por apresentar risco de intoxicação com o solvente à base de percloroetileno e também de explosão e incêndio. Havia problemas nos espaços confinados às atividades de instalação, na operação de Plataformas de Trabalho Aéreo, nas plataformas elevatórias do tipo tesoura (PTA), em máquinas lixadeiras, serra fita e furadeiras e na pintura atomizada de aeronaves.
As consequências das irregularidades são principalmente doença de pele, respiratórias e câncer pela falta de proteção adequada aos compostos químicos e, no caso, do check-in, doenças por esforço repetitivo e até amputações em função de esteiras obsoletas de bagagem.
De acordo com os Auditores-Fiscais, a situação é grave e semelhante à época em que dois trabalhadores morreram em consequência de um incêndio no aeroporto, em 1999.
Além disso, dois acidentes ocorreram recentemente. O primeiro, em julho, quando um trabalhador morreu atropelado por uma aeronave da TAM. Em agosto, durante investigação, a fiscalização do trabalho detectou vários problemas e interditou alguns setores do aeroporto. Interdições que foram violadas e resultaram, em setembro, num acidente que feriu cinco trabalhadores da TAP atingidos por um raio enquanto realizavam manutenção a céu aberto durante uma tempestade. “Se as interdições tivessem sido respeitadas, essas cinco pessoas não teriam ficado feridas”.
Em função das violações, os Auditores decidiram intensificar as fiscalizações. Eles interditaram ainda 12 caminhões tanque da Petrobras Aviation por descumprimento das normas de segurança que dispõem sobre o abastecimento de aeronaves.
Segundo os Auditores-Fiscais, a fiscalização continua em curso, pois, outras situações de grave e iminente risco poderão ser encontradas. “Nesses casos, temos o dever de interditar para proteger os trabalhadores”.