Chacina de Unaí - Ato reúne Auditores-Fiscais e representantes de trabalhadores para pedir justiça


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
22/10/2015



Manifestação ocorreu na véspera da data marcada para o início do julgamento dos acusados de serem os mandantes do crime


“Esperamos que esta seja a última manifestação pelo julgamento dos culpados pela Chacina de Unaí”. Este foi o clamor de Marinez Lina de Laia, viúva de Eratóstenes Gonsalves de Almeida, durante ato público que pediu a punição dos acusados de serem os mandantes do crime que ficou internacionalmente conhecido como Chacina de Unaí.


A manifestação promovida pelo Sinait, pela Delegacia Sindical em Minas Gerais e pela Associação dos Auditores Fiscais de Minas Gerais - AAFIT/MG,  reuniu Auditores-Fiscais e representantes de Centrais Sindicais e diversas outras entidades de classe que representam trabalhadores de vários setores.


Milhares de balões pretos foram lançados no céu no centro de Belo Horizonte em protesto para pedir que de fato seja realizado o julgamento marcado para iniciar na manhã desta quinta-feira, 22 de outubro.


A presidente do Sinait, Rosa Maria Campos Jorge, lembrou que foram utilizadas diversas artimanhas pelos acusados para adiar o julgamento, mas que tanto os Auditores-Fiscais como a sociedade estão vigilantes para cobrar dos juízes a punição dos culpados. Ela disse que os recursos utilizados pelos réus, ao longo desses anos, só têm um único objetivo que é procrastinar o julgamento.


Rosa Jorge enfatizou que os Auditores-Fiscais do Trabalho continuam lutando e trabalhando da mesma forma que faziam os colegas assassinados, mesmo sem condições de trabalho, com um quadro insuficiente.


Ela destacou, ainda, a atual fusão dos Ministérios do Trabalho e Previdência Social como prejudicial para a categoria dos Auditores-Fiscais. “Fizeram a fusão de duas sucatas, o Ministério da Previdência e do Trabalho, ambos sem condições de realizar um bom trabalho em defesa dos trabalhadores”, avaliou a presidente.


“Justamente os ministérios que atendem a maior parte da população, os trabalhadores do Brasil, tem somente 2.500 Auditores para fiscalizar as relações de trabalho por todo o país. Na capital mineira, Belo Horizonte são apenas 60 deles. Uma vergonha”, declarou emocionada, a presidente do Sinait.


Representantes das centrais sindicais e de sindicatos de trabalhadores da Região participaram do ato. Eles pediram justiça e que ocorra de fato o julgamento. Os sindicalistas temem que algo ainda possa ocorrer prorrogando mais uma vez o tão esperado julgamento.


O sindicalista Carlos Calazans, que à época do assassinato era o Delegado do Trabalho de Minas Gerais, lembrou que está é a primeira vez que os mandantes e articuladores da chacina sentarão no banco dos réus. Calazans também fez um breve relato sobre os acontecimentos, retrocessos e avanços da luta pelo julgamento dos acusados.

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