RS: Interdições em frigorífico de Santo Ângelo


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
15/07/2015



Mais uma ação fiscal realizada em frigorífico no Rio Grande do Sul resultou em interdições de setores de serviço e máquinas que representam risco aos trabalhadores. Desta vez a fiscalização ocorreu em Santo Ângelo, na empresa Marcelo Sartori, que conta com 50 empregados.


Foram interditados no dia 10 de julho os setores de atordoamento de animais e de expedição, a serra fita do setor de desossa e a serra de carcaça no setor de abate.


No setor de atordoamento, que fica ao lado do setor de abate, não havia proteção para o caso de falha no procedimento. Durante a fiscalização o Auditor-Fiscal do Trabalho Fabiano Rizzo Carvalho presenciou uma falha e o risco de ocorrer um acidente grave em caso de fuga do animal é grande. Também foi constatada a possibilidade de o animal atingir com as patas o trabalhador que faz a amarração das patas para o içamento. Deverão ser instaladas proteções para evitar a fuga do bovino e para evitar que os trabalhadores sejam atingidos pelas patas dos animais.


No setor de expedição foram vários problemas observados. A movimentação manual de partes da carcaça dos bovinos exige posturas inadequadas e emprego de força excessiva, o que gera sobrecarga na coluna lombar, cervical e membros superiores dos trabalhadores. A nória por onde as peças são transportadas tem altura de 2,20 metros ou mais. Muitos trabalhadores, para soltar as peças, são obrigados a ficar nas pontas dos pés. Eles pegam as peças, colocam nos ombros, levam para dentro dos caminhões e novamente as penduram. No transporte, usam os ombros, o pescoço e as costas devido ao grande peso. Os pesos das peças variam entre 23 e 48 quilos.


Fabiano realizou entrevistas com os trabalhadores e uma avaliação da força empregada para o carregamento das peças. Foi confirmada a utilização da força quase máxima, o que pode ocasionar vários tipos de lesões em tendões e músculos. As irregularidades ferem as Normas Regulamentadoras 17 e 36, respectivamente, sobre Ergonomia e Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados.


Para resolver esses problemas, várias adaptações nos maquinários de pendura deverão ser feitas. Os pesos das peças e as alturas das nórias deverão ser limitados. O número de trabalhadores também deverá ser redimensionado, para evitar a sobrecarga de trabalho, entre outras medidas, de acordo com as NRs.


Quanto à serra fita, a parte superior do equipamento permitiu a abertura sem que a serra parasse. A tampa existe para proteger o movimento da fita no entorno da polia e deve ser fixa ou intertravada. Apesar da existência de dispositivo de segurança, não ficou comprovado que os sensores utilizados apresentam monitoramento automático para impedir falha que provoque a perda da função de segurança. Isso pode gerar acidentes graves como amputações de dedos e mãos, além da morte, principalmente durante a limpeza e manutenção do equipamento. Medidas de segurança deverão ser adotadas.


No caso da serra de carcaça, o trabalhador fica sobre uma plataforma elevatória, que vibra muito e não pode ser utilizada por longos períodos. O contrapeso usado, que faz movimentos verticais e horizontais, sem delimitação do espaço, podendo atingir os trabalhadores. Sistemas de segurança deverão ser adotados para impedir o acesso dos trabalhadores à área de alcance da máquina.


Fabiano Rizzo informa que o frigorífico está adotando medidas para corrigir as irregularidades encontradas. Nesta quarta-feira, 15 de julho, uma nova inspeção foi realizada e alguns itens foram cumpridos, o que resultou na desinterdição parcial de setores e equipamentos.

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