O jornal eletrônico Agência de Reportagem e Jornalismos Investigativo publicou, no dia 3 de junho, a matéria “Friboi, a campeã nacional em acidentes”, produzida pelo jornalista Maurício Mendes, que entrevistou o Auditor-Fiscal do Trabalho Mauro Müller da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio Grande do Sul – SRTE/RS.
A matéria denuncia irregularidades e violações de direitos trabalhistas que deixaram 7.822 empregados da empresa doentes ou incapacitados para o trabalho nos últimos quatro anos.
De acordo com o Auditor-Fiscal Mauro Müller, uma fiscalização na unidade de Montenegro (RS), no início do ano passado, resultou na interdição de máquinas e atividades. Foram aplicados 33 autos de infração após a visita. Entre as irregularidades, uma das que mais chamaram a atenção dos fiscais foi a situação dos empregados responsáveis por embalar frangos do tipo griller – um galeto pequeno, exportado principalmente para o Oriente Médio. Para colocar a ave dentro de um saco plástico, é necessário passá-la dentro de um funil. Os empregados escalados para a tarefa realizavam nada menos de 90 movimentos por minuto com os braços.
Segundo Mauro Müller, não existem máquinas capazes de atingir tamanha produtividade. As mais rápidas embalavam 15 frangos por minuto, metade da velocidade de um empregado da JBS. “Se uma máquina consegue dar conta apenas dessa produção, imagine o nível de exigência dos músculos, dos tendões, dos braços do trabalhador nesse posto”, analisa. Ao todo, 93% dos empregados entrevistados no setor disseram ter sentido dor na semana anterior à visita.
A matéria esclarece ainda que a mesma fiscalização verificou as condições na unidade de Passo Fundo (RS) e encontrou empregados lidando com uma quantidade de peso acima do normal. No setor de descarregamento de frango vivo, havia pessoas manuseando 50 toneladas por dia. O máximo permitido pela legislação, no entanto, são 10 toneladas diárias. A fábrica também usa empilhadeiras e paleteiras elétricas movidas a bateria, que pesam 1,1 tonelada cada. A troca dessas baterias, feita a cada turno, era manual. Os empregados usavam o corpo para fazer a substituição, empurrando ou puxando as peças.
Mauro Müller explicou também que a fiscalização dos relógios de ponto na unidade de Passo Fundo, de 16 de maio a 15 de dezembro do ano passado, identificou cerca de 27 mil jornadas além do limite permitido. “É muita coisa. É praticamente o setor produtivo todo trabalhando uma média diária de 9h40”.
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