O jornalista Leonardo Sakamoto, coordenador da ONG Repórter Brasil, foi ameaçado de morte por integrante de um dos grupos no Facebook responsável por convocar os protestos contra o governo da presidenta Dilma Rousseff, no último domingo, 15 de março. Na ameaça, o jovem disse: "mata logo esse verme".
Em sua página na rede social, o jornalista revelou que denunciou o fato às autoridades competentes e que o autor da ameaça chama-se Diego. No entanto, ele apagou a foto e sobrenome do responsável.
Sakamoto ainda revelou que no grupo onde a mensagem foi postada, ele foi "atacado e ameaçado, tanto no post quanto em centenas de comentários". "As manifestações de domingo foram legítimas, como defendi no blog. O que não é legítimo é criar um ambiente propício à incitação da violência ou circular calúnias contra profissionais de imprensa. Porque vivemos em uma democracia. Ainda".
Prêmio Faz a Diferença
A atuação da Repórter Brasil no combate ao trabalho escravo foi reconhecida nesta quarta-feira, 18 de março, durante o prêmio Faz a Diferença, categoria Economia, concedido pelo jornal O Globo, em cerimônia no Rio de Janeiro (RJ).
Em seu discurso, Sakamoto relatou a ação da Repórter Brasil no combate ao trabalho escravo e denunciou as ameaças de morte que vem recebendo como jornalista.
"A Repórter Brasil atua no combate ao trabalho escravo contemporâneo e ao tráfico de pessoas há 14 anos. Muitas das denúncias envolvendo grifes famosas, grandes criadores de gado ou construtoras que chegaram até vocês começaram conosco e nosso trabalho de investigação. No mesmo período, mobilizamos centenas de empresas para combater a escravidão em sua cadeia de valor, ajudando no gerenciamento de riscos, melhorando nossa economia e trazendo dignidade a trabalhadores.
Nosso projeto de prevenção ao trabalho escravo [Escravo, nem pensar!] através da educação beneficiou mais de 150 municípios e é reconhecido como exemplo pelas Nações Unidas. Ajudamos a aprovar leis que pressionam os escravagistas.
Como resposta, temos sido vítimas de calúnias, campanhas de difamação e até ameaças de morte. É triste constatar que aqueles que defendem o fim da escravidão no Brasil ainda são alvo do mesmo tipo de ataque que sofriam os abolicionistas que levaram à Lei Áurea, 127 anos atrás.
Creio que falo não apenas por mim, mas por todo jornalista aqui presente. Podem até calar uma pessoa ou um grupo delas. Mas não se cala uma ideia. Ainda mais quando essa ideia clama por liberdade."
A diretoria do Sinait solidariza-se com o jornalista Leonardo Sakamoto e parabeniza a Repórter Brasil, com a qual mantém vários projetos em parceria na luta pela erradicação do trabalho escravo. Assim como o jornalista, o Sinait defende a democracia e a liberdade de expressão, com tolerância e respeito às diferenças.
Com informações do Portal Imprensa da CUT, Face do Sakamoto e O Globo.