Escravidão moderna em fábricas da Malásia


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
18/09/2014



O Sinait replica matéria publicada pelo Diário de Pernambuco, no dia 17 de setembro, originalmente da Agence France-Presse (AFP), que divulga dados de um relatório da ONG Verite, com sede nos Estados Unidos, sobre a exploração da força de trabalho por indústria eletrônica na Malásia.


De acordo com o relatório da ONG Verite, cerca de um terço dos 350 mil trabalhadores da indústria eletrônica da Malásia padecem em situações semelhantes à “escravidão moderna”.


No Brasil, os Auditores-Fiscais do Trabalho são responsáveis pelas ações em todo o território nacional, dentre elas, erradicar o trabalho escravo e infantil. Atualmente, o quadro encontra-se em defasagem com apenas 2.700 Auditores-Fiscais em atividade, o que prejudica o combate das ações desenvolvidas para proteger os empregados brasileiros.


Para reverter essa realidade, o Sinait reivindica urgentemente a realização de concurso público para o cargo de Auditor-Fiscal do Trabalho com 800 vagas. A solicitação encontra-se no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP). O Aviso nº 97, datado de 21 de maio, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).


Leia a matéria abaixo sobre a “escravidão moderna”.


ONG denuncia "escravidão moderna" em fábricas da Malásia


Quase um terço dos 350 mil trabalhadores da indústria eletrônica da Malásia - um importante fornecedor para as grandes marcas mundiais - sofrem com condições similares à "escravidão moderna", afirma um relatório da ONG Verite, que tem sede nos Estados Unidos.


Pelo menos 28% dos trabalhadores das fábricas de produtos eletrônicos do país no sudeste asiático - em particular os imigrantes de países vizinhos - estão vinculados por contrato a uma espiral de servidão.


O estudo, realizado com base em entrevistas com 501 trabalhadores do setor em todo o país, foi solicitado pelo governo dos Estados Unidos, que dispõe de uma legislação para proibir a importação de produtos fabricados com mão de obra forçada, destacou a Verite.


"Os resultados sugerem que o trabalho forçado está presente na indústria eletrônica da Malásia e, de fato, pode ser caracterizado como generalizado", afirma a Verite.


A indústria eletrônica é uma peça chave da economia da Malásia e fornece semicondutores, periféricos de informática, equipamentos de comunicação e outros produtos a marcas famosas como Apple, Samsung e Sony.


Mas o sucesso do setor é baseado, em parte, na exploração dos trabalhadores estrangeiros, pobres e vulneráveis procedentes da Indonésia, Nepal, Índia, Vietnã, Bangladesh e Mianmar, afirma o estudo da ONG.


Um dos fatores cruciais da exploração é o pagamento de taxas de contratação pelos trabalhadores, o que gera dívidas. Os valores cobrados, tanto nos países de origem dos trabalhadores como na Malásia, "geralmente excedem os parâmetros legais e industriais equivalentes a um mês de salário", afirma o estudo.


Os trabalhadores denunciam também as mentiras sobre as condições de trabalho e as pressões para horas extras.


No total, 38% dos trabalhadores estrangeiros entrevistados denunciaram que são obrigados a dormir em quartos pequenos, onde são colocadas até oito pessoas, e que a liberdade de movimento é restrita, já que os passaportes são apreendidos.


"Ficar com nossos passaportes é, nem mais nem menos, a escravidão moderna", afirmou um trabalhador birmanês, segundo o documento.


Funcionários do governo e as diretorias das principais empresas não reagiram ao estudo até o momento.

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