Quatro trabalhadores foram resgatados de condições análogas ao trabalho escravo em uma carvoaria de uma fazenda em Pintópolis (MG), nesta segunda-feira (15). A operação coordenada por Auditores-Fiscais do Trabalho contou com a participação de procuradores do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal. Dos quatro resgatados, três eram homens e a única mulher laborava como cozinheira.
A ação foi desencadeada após uma denúncia de que os trabalhadores estavam em condições análogas à de escravos na Fazenda Alegre, que pertence a Murilo Faria, juiz aposentado. No local, os Auditores-Fiscais tiveram a informação de que eles haviam sido deslocados e escondidos em outro lugar, na Fazenda Mangues. As propriedades são vizinhas e em ambas foram encontradas carvoarias.
A fiscalização constatou que os resgatados não tinham nenhum direito trabalhista garantido. Eles não foram formalizados e também não usavam equipamentos de proteção. O local de alojamento e alimentação estava em condições precárias. Havia barracos de lona e camas improvisadas. Os trabalhadores cozinhavam em fogões à lenha, com água que não sabiam de onde vinha e que ficava dentro de tambores. A comida estava armazenada em meio às roupas, em prateleiras, a carne foi encontrada em um balde. Todos tomavam banho em uma caixa, ao lado dos fornos, e faziam as necessidades no mato.
Eles Trabalhavam todos os dias da semana e descansavam apenas cinco horas por dia. Não usavam nenhum equipamento de proteção e estavam com botas furadas e machucados nas mãos. Alguns relatam que passavam mal e foram parar no hospital, devido ao serviço pesado e às más condições.
Mais irregularidades
Além dos quatro trabalhadores, os Auditores-Fiscais do Trabalho também encontraram um funcionário da Fazenda Mangues trabalhando sem carteira assinada, há mais de cinco anos. Ele era o responsável por cuidar de toda a propriedade e contou que trabalhava seis dias por semana, que nunca tirou férias e nem recebeu 13º. Além do salário mínimo, o patrão fornece para ele uma cesta básica e as botinas.
Providências
A fiscalização trabalhista notificou os fazendeiros que terão que apresentar documentos e comparecer junto às autoridades que fizeram a fiscalização para pagar todas as verbas trabalhistas devidas aos resgatados.
Os trabalhadores também vão fazer jus a um seguro desemprego especialmente pago em situações de resgate do trabalho escravo.
Já os que perpetraram o crime, vão ser responsabilizados administrativamente pelo Ministério do Trabalho e também no âmbito judicial, a partir de ações propostas pelo Ministério Público do Trabalho e pela Procuradoria da República.
Com informações do G1