Definidas estratégias para replicação do Ação Integrada


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
19/08/2014



Até outubro os coordenadores do Movimento pretendem executar uma agenda de compromissos que impulsionará sua implementação em outros Estados


Os próximos passos para fortalecer o Movimento Ação Integrada e promover sua replicação nos estados brasileiros foram definidos pelos coordenadores do Programa, durante a oficina realizada nos dias 14 e 15 de Agosto, no Sinait, em Brasília (DF).


Entre as estratégias que compõem a agenda de compromissos construída durante o encontro, e que deverá ser cumprida até outubro pela Coordenação Nacional do Movimento, estão o intercâmbio de experiências entre os Estados que já implementam o programa, a exemplo de Mato Grosso, Bahia e Rio de Janeiro; a sensibilização de empresas para aderirem à causa e o apoio à implementação do Ação Integrada no sul do Pará, entre outras.


O Ação Integrada foi sistematizado pelo Sinait em parceria com a OIT-Brasil. Sua missão é alfabetizar e qualificar egressos do trabalho escravo, por meio de parcerias com entidades públicas, privadas e da sociedade civil, visando sua reinserção no mercado de trabalho e consequentemente o combate à reincidência das vítimas a condições análogas a de escravo. O projeto piloto executado em Mato Grosso desde 2008 já atendeu mais de 600 trabalhadores.


Além do Sinait e da OIT-Brasil fazem parte do Ação Integrada: o Conselho Nacional de Justiça – CNJ, a Superintendência Regional de Trabalho e Emprego de Mato Grosso - SRTE/MT e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão - PFCD.


Intercâmbio


No período de 28 a 30 de setembro os coordenadores do Movimento viajam para Cuiabá, no Mato Grosso, quando visitarão os parceiros que viabilizam as ações do Programa no Estado.


Na ocasião, o grupo também vai promover a troca de experiências entre as equipes de trabalho que implementam o Ação Integrada na Bahia e no Rio de Janeiro com a equipe do Programa em Mato Grosso.


“O objetivo é possibilitar a troca de informações relativas às lições aprendidas e aos desafios de cada equipe, bem como as alternativas para superá-los”, explicou o Auditor-Fiscal do Trabalho e diretor do Sinait, Valdiney Arruda.


Neste mesmo período a OIT-Brasil fará o lançamento do Projeto “Fortalecimento do Programa Ação Integrada em Mato Grosso”, um importante componente das ações da Organização para combater o trabalho forçado no Brasil.   


Sensibilização de empresas


A Coordenação Nacional do Ação Integrada vai promover o seminário “Trabalho Decente é Crescer com Dignidade” em Cuiabá, ainda sem data definida, para discutir com representantes do setor privado do Estado questões relativas à responsabilidade social corporativa e inclusão cultural e produtiva de público vulnerável.


Novas adesões


Durante a Oficina, o juiz do Trabalho Jônatas Andrade entregou ao grupo cópia do relatório estratégico produzido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região sobre o trabalho escravo, em que sugere o ingresso do Tribunal no Movimento, como parte das ações de combate a este tipo de crime no Estado do Pará.


As recomendações também sugerem que o relatório seja encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça - CNJ para que, por meio de sua Corregedoria, o Conselho faça um levantamento semestral ou anual do valor das indenizações coletivas depositados junto ao Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT por seus Juízos, recomendando a sua aplicação no Movimento Ação Integrada.


O Sinait tem recebido vários pedidos de adesão ao Movimento. Os mais recentes vieram do Ministério Público do Trabalho e Ministério Público Federal.


No dia 22, os coordenadores Jônatas Andrade (TRT/8ª Região), Carlos Silva (Sinait) Patrícia Costa (Sinait), Antônio Mello (OIT-Brasil) e Giselle Vianna (SRTE/MT) participam de reunião, às 11 horas, com os Conselheiros do CNJ, Rubens Curado e Luiza Frischeinsen, para tratar desse assunto. 


A Coordenação do Movimento também vai recomendar à Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo - Conatrae que estimule a inclusão do Ação Integrada no Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. A sugestão será feita na reunião da Comissão prevista para o dia 26, em Brasília.


Discussões sobre a possível participação da Secretaria de Inspeção do Trabalho - SIT no Movimento também serão tratadas em reuniões que ocorrerão no MTE.


Apoio à implementação do Programa no sul do Pará


No dia 10 de setembro, o Auditor-Fiscal do Trabalho Valdiney Arruda irá a Marabá, no Pará, para apresentar o Movimento aos Juízes Federais e novos Procuradores do Trabalho que chegam ao município e aos demais integrantes do Grupo de Articulação Interinstitucional para a Erradicação do Trabalho Escravo – Gaete. O objetivo é sensibilizá-los para eles aderirem à causa e consequentemente à implementação do Programa no sul do Pará. A reunião do Gaete será no dia 10 de setembro, em Marabá.


O Gaete é formado por representantes da Justiça do Trabalho, Ministério Público do Trabalho, pela ONG Repórter Brasil e Comissão Pastoral da Terra – CPT.


Parcerias


A estrutura do Programa, as parcerias e as fontes de recursos utilizadas no Estado de Mato Grosso, além de estatísticas atualizadas sobre trabalhadores resgatados, também foram apresentadas durante a oficina, que contou com a participação de vários integrantes das entidades parceiras do Movimento no Estado. 


A psicóloga Bianca Vasquez veio de Sorriso/MT e durante a oficina fez um relato de sua experiência profissional vivenciada no Programa. “Minha percepção sobre a vulnerabilidade para o trabalho escravo, especialmente entre as famílias atendidas pelo Centro de Referência de Assistência Social, melhorou muito depois que participei das oficinas de sensibilização promovidas pelo Programa e, sobretudo, ao acompanhar a equipe na abordagem para identificação e localização de resgatados e vulneráveis ao trabalho escravo no município”, informou. 


Bianca também destacou que sua atuação/participação no Programa é compatível com as suas atribuições junto ao CRAS. Segundo ela, a experiência permitiu, inclusive, o aprimoramento da ação de assistência social no município.


De acordo com a psicóloga, antes de conhecer o Programa, as ações do CRAS podiam ser vistas como limitadas ao fornecimento de benefícios e serviços assistenciais eventuais à população de baixa renda, com o suprimento de suas necessidades mais imediatas. "Com o Ação Integrada, os trabalhadores do Centro de Referência passaram a oferecer a esse público um caminho para a superação de fatores que levam à pobreza e à vulnerabilidade social, como o analfabetismo, a ausência de qualificação profissional e o desemprego de longa duração", enfatizou.


Para os coordenadores nacionais do Ação Integrada o relato da psicóloga foi muito rico e mostrou que este é o caminho a seguir, ou seja, que as parcerias são essenciais para fortalecer o Movimento.


Segundo eles, os dois dias de oficina serviram para consolidar a Coordenação Nacional do Ação Integrada, o que se configurou com a criação da agenda mínima de compromissos para dar celeridade à replicação do Movimento pelo país.


“Iniciativas como essa para promover o trabalho decente são da maior relevância para os trabalhadores, empregadores e para toda sociedade. Significa um compromisso de construção de uma nova perspectiva do trabalho digno”, disse Valdiney Arruda, ao encerrar o encontro de coordenadores em Brasília.

Categorias


Versão para impressão




Assine nossa lista de transmissão para receber notícias de interesse da categoria.