Safristas foram aliciados em Nova Floresta (PB) e levados para a colheita de café na cidade
Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram 33 trabalhadores na Fazenda Santa Isabel, zona rural de Planaltina, Distrito Federal. Entre eles havia um adolescente de 16 anos trabalhando.
O grupo foi aliciado em Nova Floresta (PB) para trabalhar na colheita de café, com a promessa de emprego por um período de 90 dias. Eles trabalhavam sem Carteira de Trabalho assinada e sem equipamento de proteção, desde junho, ficavam em alojamentos precários e superlotados e não tinham recebido nenhum salário.
Segundo Amilton Oliveira, um dos trabalhadores prejudicados, o combinado era o pagamento de R$ 7 por saco de café colhido. A média de colheita era de 30 sacos por dia. “Eu trabalho há muito tempo com este tipo de contrato e é a primeira vez que tenho um problema tão grande. Quando questionamos o administrador sobre as condições, ele nos avisou que quem não estivesse satisfeito com as normas da empresa poderia ir embora. Foi aí que resolvemos denunciar.”
Após a denúncia dos trabalhadores, no dia 3 de julho, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Distrito Federal - SRTE/DF enviou a fiscalização trabalhista ao local. De acordo com o Auditor-Fiscal do Trabalho Roberto Gutemberg, que fez a fiscalização, as irregularidades constatadas resultaram na lavratura de 11 autos de infração.
A empresa Rural Whittmann Agropecuária Ltda, proprietária da fazenda, foi convocada pela fiscalização para pagar as verbas rescisórias e demais direitos trabalhistas aos explorados. Cada trabalhador recebeu em média R$ 3.500,00, incluindo o ressarcimento do valor cobrado pelo empregador com os gastos das passagens de vinda para o DF. Além do valor das passagens de volta para a Paraíba.
O caso foi acompanhado por procuradores do Trabalho. Nova audiência entre o Ministério Público do Trabalho - MPT e a empresa está marcada para 24 de julho, para discutir a situação dos demais empregados da fazenda, questões relacionadas ao meio ambiente de trabalho e à comprovação da não exploração do trabalho infantil.
Para o Auditor-Fiscal do Trabalho André Grandizoli, a constatação de trabalho escravo no DF foi inusitada. “Geralmente não temos problema dessa natureza por aqui, situação que considero bastante grave para a realidade do DF”, informou.
Com informações do MTE e da SRTE/DF.