O Sinait divulga nota do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE, que a entidade integra, de apoio ao juiz Márlon Reis, autor do livro “O Nobre Deputado”, que trata das práticas eleitorais utilizadas nas campanhas e as possíveis influências do poder econômico no Parlamento para a sociedade.
A obra foi duramente questionada por parlamentares e divulgada pela imprensa nacional de forma crítica. Apesar das controvérsias, num país democrático, a posição do juiz Márlon Reis é pertinente e salutar, uma vez que, o livro “O Nobre Deputado” é o resultado de uma pesquisa realizada entre 2007 e 2013, baseado em entrevista e análise documental, para a sua tese de Doutorado sobre as práticas dos candidatos durante as eleições.
Leia a nota do MCCE replicada pelo Sinait abaixo:
Nota de apoio ao Dr. Márlon Reis
O juiz Márlon Reis é um dos mais destacados pensadores e ativistas brasileiros, com uma vida dedicada à promoção e ao aprimoramento da democracia. Foi um dos fundadores deste Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, tendo contribuído para a expansão do conhecimento de toda a sociedade sobre os aspectos legais e as consequências sociais danosas da compra do voto e do uso eleitoral do aparato de governo.
Mais recentemente, foi um dos líderes do processo de mobilização popular que culminou com a aprovação da Lei da Ficha Limpa, a mais relevante lei eleitoral brasileira.
Com a publicação do seu novo livro intitulado “O Nobre Deputado”, Márlon Reis chama a atenção para a persistência no nosso cenário de práticas abjetas, que precisam ser superadas pela necessária Reforma Política. Temos um país do Século XXI que convive com práticas eleitorais do Século XIX. Aqui o abuso do poder econômico e político se tornou regra, sendo farta a pesquisa acadêmica que demonstra quem financia as eleições e que resultados isso provoca na definição dos eleitos. Defender o Parlamento é adotar medidas para estancar essas práticas.
A reação da Câmara dos Deputados ao livro “O Nobre Deputado” e a seu autor não pode ser a de tentar sufocar a liberdade de expressão, como se fosse possível esconder da sociedade o que já é de todos sabido. A única reação possível deve ser a realização da Reforma Política, com a proibição das doações empresariais, a racionalização do voto proporcional pela adoção do sistema de dois turnos, o aumento da presença da mulher no espaço político e o fortalecimento dos mecanismos de exercício da democracia direta.
Brasília/DF, 18 de junho de 2014
Leia, também, artigo de Jorge Maranhão, publicado no site Congresso em Foco.
22-6-2014 – Site Congresso em Foco
Ao retaliar autor de obra de ficção, por mostrar os problemas do nosso sistema político, Câmara dos Deputados age como o imperador que tenta matar o mensageiro que traz notícias ruins, diz colunista
Jorge Maranhão - publicitário, consultor e escritor. Atualmente dirige o Instituto de Cultura de Cidadania A Voz do Cidadão, além de produzir e apresentar boletins semanais sobre cidadania nas rádios Globo e CBN.
Quem viu no último dia 8 o programa Fantástico, da Rede Globo, com certeza ficou indignado com as revelações do juiz Márlon Reis sobre a corrupção de partidos e políticos nas campanhas eleitorais.
O juiz Márlon é especialista no tema da corrupção na política e está divulgando em todo o Brasil o seu mais novo e polêmico livro, O nobre deputado. Embora se deva ressaltar que o livro é uma obra de ficção e que o deputado retratado não existe de verdade, Márlon Reis usou todo o seu conhecimento de especialista no processo eleitoral brasileiro para denunciar à sociedade os truques mais comuns que os políticos usam para burlar a lei eleitoral. Com o livro, o juiz espera uma mobilização maior dos cidadãos para o aprimoramento do processo, que possui muitas falhas.
Na reportagem, o juiz Márlon foi um dos entrevistados sobre o tema da corrupção eleitoral, além de Carlos Velloso, ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); Rachel Duarte, promotora de Justiça; e André Bertuol, procurador-geral eleitoral de Santa Catarina.
Evidentemente, alguns políticos não gostaram do que ouviram e a reação foi a pior possível. Em vez de reconhecer que o sistema é falho e precisa de aperfeiçoamentos, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, ameaçou entrar com uma representação contra o juiz Márlon Reis no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A alegação é que o livro citado “mancha a imagem do Parlamento”. Esqueceram só de avisar ao nobre deputado que a imagem do Congresso já está bem manchada e que a sociedade já não admite mais esse tipo de político. Parece até aquela história antiga: se o mensageiro traz uma notícia ruim para o imperador, que se mate o mensageiro!
Pois diversas organizações da sociedade civil divulgaram esta semana manifestos de apoio ao juiz Márlon Reis contra mais essa “bola fora” dos nossos congressistas. Uma delas, a organização Amarribo Brasil, afirma que o juiz “retrata, com objetividade cristalina e coragem pessoal, a realidade do que se passa nos bastidores da política brasileira”, e faz questão de lembrar que hoje praticamente a metade dos parlamentares responde a inquérito ou ação penal no Supremo.
Outra organização, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), também soltou nota de apoio ao juiz Márlon.
Como se pode ver, ainda há muito o que se fazer contra a corrupção, especialmente em nosso sistema político. Vale a pena conferir o vídeo e as notas de apoio e refletir sobre o que devemos esperar dos nossos candidatos às eleições de outubro. Mas, acima de tudo, precisamos compreender que o processo eleitoral não é o fim em si mesmo da cidadania política, mas apenas o meio pelo qual ela exerce sua participação.
Depois de eleitos os mandatários, nós, os mandantes, precisamos fiscalizar e cobrar transparência ao longo de todo o mandato. Essa é a regra básica de todo cidadão mais consciente e atuante!