Fiscalização do Trabalho resgata 17 peruanos de oficina de costura em SP


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
17/03/2014



Uma operação de fiscalização do Trabalho de São Paulo resgatou na última semana 17 imigrantes peruanos que trabalhavam em situação análoga à de escravo, em oficina de costura, localizada no bairro de Cangaíba, Zona Leste de São Paulo. Os Auditores-Fiscais do Trabalho também configuraram o tráfico de pessoas no caso.


A Fiscalização teve origem em denúncia de um dos trabalhadores, que sofreu violência física e decidiu pedir ajuda ao Consulado do Peru, que encaminhou o caso às autoridades. Lá, a Fiscalização do Trabalho constatou que os imigrantes tinham seus documentos retidos pelo proprietário da oficina, no intuito de evitar que fugissem do local.


O grupo estava, segundo os Auditores-Fiscais do Trabalho, submetido a escravidão por dívidas e jornadas exaustivas. Os Auditores-Fiscais verificaram a falta de registro nas carteiras de trabalho e que os imigrantes se submetiam à condição análoga à de escravo por temerem a deportação.


Os imigrantes viviam sob ameaças, o que foi constatado principalmente nos depoimentos. Segundo os Auditores-Fiscais, no primeiro depoimento à polícia quando denunciaram o caso, além de registrar a agressão sofrida, algumas das vítimas relataram jornadas das 5h às 22h e reclamaram de ameaças, para as autoridades que participavam do resgate. No outro dia, quando eles estavam acompanhados, mudaram o posicionamento e passaram a defender a dona da oficina. Diziam que eram vítimas do resgate e não do trabalho escravo e, mesmo aqueles que haviam denunciado a situação, mudaram de opinião diante dos empregadores.


“Eles chegaram a se recusar a assinar as guias para receber o seguro-desemprego”, relatou o Auditor-Fiscal do Trabalho Marco Antônio Melchior. Segundo ele, os imigrantes pensavam que seriam deportados se assinassem as guias, mas, após serem informados sobre seus direitos e terem a garantia de que não seriam obrigados a deixar o país,  a maioria mudou de postura e passou a colaborar com as investigações.


A Fiscalização do Trabalho considerou a empresa Unique Chic responsável pela situação a que os imigrantes estavam submetidos.


Com informações da Repórter Brasil

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