O diretor do Sinait Valdiney Arruda apresentou, no último dia 19, em reunião em Marabá (PA) o projeto Movimento Ação Integrada, que deverá ser implantado no município, que é um dos locais onde há um alto índice de aliciamento de trabalhadores que posteriormente são submetidos a condições análogas às de escravos em fazendas da região.
Na reunião, os participantes iniciaram as discussões e articulações para que o Ação Integrada seja replicado em todo o Estado do Pará. O representante da Organização Internacional do Trabalho – OIT, Antônio Carlos de Mello Rosa, também participou do encontro.
O Auditor-Fiscal do Trabalho Valdiney Arruda explicou como se dá a reinserção dos trabalhadores por meio do projeto Ação Integrada e que a alfabetização e a qualificação de mão de obra são fatores decisivos para o sucesso da empreitada. Ele relatou aos participantes o processo e também as dificuldades enfrentadas ao longo do desenvolvimento do programa. Para ele “a capacidade de articulação dos parceiros é fundamental para a implementação e avanço do Movimento”.
As dificuldades enfrentadas para combater o trabalho escravo, o qual, segundo Valdiney, mexe com as raízes de todos os problemas do Brasil, também foram abordadas. “Combater o trabalho escravo significa combater a corrupção, a má distribuição da terra, a falta de investimento em educação. E um governo que coloque sua energia principal no combate ao trabalho escravo mostra que está efetivamente comprometido com a população, com a promoção da cidadania. Se alguém deixa de fazer esse trabalho, o comprometimento com a sociedade é nenhum, disso eu tenho certeza”, ressaltou.
Arruda ressaltou que a experiência do Grupo de Articulação Interinstitucional de Enfrentamento do Trabalho Escravo – Gaete contribuirá muito para a implantação do Movimento Ação Integrada no município. “Este é um ponto fértil. O Gaete já possui um caminho traçado pela experiência com os egressos do trabalho escravo o que servirá como base para a implantação do Ação Integrada, no município”, destacou.
O cronograma de atividades definido prevê que no mês de março os integrantes das instituições irão trocar informações a respeito e, em abril, será realizada uma oficina para detalhar os modelos que foram construídos no Mato Grosso.
Na oportunidade, foi acenada a possibilidade de o Centro de Cabanagem do município, que tem como objetivo receber os trabalhadores resgatados em condições análogas às de escravos, acolher os trabalhos e atividades do Movimento Ação Integrada.
O juiz do trabalho no Pará, Jônatas Andrade, que sofreu ameaças pela sua atuação contra o trabalho escravo naquele Estado, também participou do evento. Para o magistrado, “A atuação articulada é fundamental para o combate ao trabalho escravo e a experiência do que já foi desenvolvido em Cuiabá demonstra isso”, disse o juiz.