Cerca de 200 famílias do Movimento dos Sem Terra - MST invadiram a Fazenda Paraíso, em Campanha (MG). A propriedade é do empresário Paulo Alves Lima, preso no mês passado por suspeita de manter lavradores em regime de trabalho escravo.
Em nota no site do MST, representantes do movimento dizem que a ocupação tem o objetivo de chamar a atenção para os casos de trabalhadores em situação irregular em Minas Gerais. “Cansamos de pedir providências em Minas Gerais, em que temos cerca de 800 mil trabalhadores rurais em situação irregular, já reunimos diversas vezes com o MTE, mas infelizmente tem de haver este tipo de fato para as pessoas prestarem atenção”, diz Jorge Ferreira dos Santos Filho, da Direção Estadual da CUT/MG, e da Articulação dos Empregados Rurais (ADERE-MG).
Os Auditores-Fiscais da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Varginha – GRTE/Varginha e também de Belo Horizonte, em Minas Gerais, foram ao local, nesta quarta-feira, 4 de setembro, após os manifestantes solicitarem a presença de representantes do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.
De acordo com o gerente regional da GRTE/Varginha, Mário Ângelo Vitório, a equipe de Auditores-Fiscais foi à Fazenda Paraíso e ouviu as reivindicações do MST. "Eles querem uma demanda que trabalhadores da região já têm há muito tempo e nós estamos tentando atender. Eles querem mais fiscalizações em propriedades rurais. Nós já temos recebido mais reforços e vamos intensificar as fiscalizações. Eles também querem uma nova rodada de negociações para esta quinta-feira". Já está confirmado que o Superintendente substituto, Vicente Silésio, estará no local até esta sexta-feira, 6 de setembro.
Conheça o caso
O fazendeiro Paulo Alves Lima, 59 anos, foi preso no dia 23 de agosto, em Campanha (MG), suspeito de manter empregados em regime de trabalho escravo em propriedade rural no município e de ter ordenado o sequestro de um lavrador. Ele responde por aliciamento de trabalhadores e estelionato. Segundo informações do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, o fazendeiro recebeu várias notificações por desobediência às leis trabalhistas. O fazendeiro está preso no Presídio de Varginha (MG).
Em um dos processos, o fazendeiro é acusado de trazer 37 trabalhadores e 17 crianças e adolescentes da cidade de Moreira Sales (PR) para trabalhar na fazenda em Campanha (MG). Ele foi condenado a uma multa de R$ 25 mil. O fazendeiro é suspeito de ter sequestrado o lavrador Hélio José dos Santos, de 41 anos, que fez uma denúncia de trabalho escravo à Polícia Militar. O trabalhador continua desaparecido.
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Com informações da GRTE/Varginha e G1 Sul de Minas.