Completando a manifestação da acusação, na fase dos debates do julgamento de três réus da Chacina de Unaí, em Belo Horizonte, nesta sexta-feira, 30 de agosto, manifestaram-se a procuradora da República Miriam do Rosário Lima e os assistentes de acusação Francisco Rogério Del Corsi e Antônio Francisco Patente.
A tese da defesa, especialmente a do réu Rogério Alan Rocha Rios, que os acusados confessaram os crimes sob tortura na Polícia Federal, foi contestada por Miriam Lima. Ela chamou a atenção dos jurados para o fato de que os réus, depois da prisão no dia 25 de julho de 2004 e depoimentos em Brasília, vieram para Belo Horizonte e tiveram oportunidade de ficar frente a frente com o juiz, sem a presença de policiais.
Naquela ocasião, declararam que não tinham sofrido quaisquer danos à integridade física durante a oitiva dos depoimentos prestados na sede da Polícia Federal, em Brasília. E questionou: “se tivessem sido coagidos, por que não disseram naquele momento?” Por que denunciam somente agora?
Ela ainda apresentou mais provas aos jurados esclarecendo detalhes sobre a receptação do carro usado no crime. Ela disse: “Não tenham dúvida de que tudo o que foi dito está comprovado, não tem nada inventado”.
Del Corsi, que representa as famílias das vítimas, agradeceu o empenho dos procuradores do Ministério Público Federal e aos policiais que depuseram. Disse que se pronunciava em nome das famílias, que são as maiores vítimas da tragédia. “Não há como negar a culpa destes e dos que ainda serão julgados”, disse o advogado.
Finalizando a participação da acusação, Patente apresentou uma carta escrita por Rogério Alan, que teria sido apreendida, endereçada a Erinaldo, que tem a alcunha de “Júnior”. Alan afirma, na carta, que é ladrão e não estaria extorquindo ninguém. Ele estaria revoltado com os mandantes por questões de dinheiro que envolviam sua liberdade. Disse que o crime era culpa deles e que eles se preparassem pois ele iria mandá-los “à merda”.
Para o advogado, pessoas que não têm sentimentos são incapazes de demonstrar remorso ou arrependimento e se julgam suficientemente inteligentes para reconhecer que fizeram algo errado. “O crime mais nefando é o crime mercenário, aquele que por dinheiro arma a mão do covarde que executa, sai da mão do covarde que não tem coragem de executar”, disse Patente.