Um dos momentos mais aguardados do julgamento dos executores da Chacina de Unaí – o depoimento dos réus – aconteceu na noite de quinta-feira, 29 de agosto. O julgamento acontece em Bel Horizonte, na sede da Justiça Federal, presidido pela juíza substituta da 9ª Vara Federal, Raquel Vasconcelos.
Um dos momentos mais aguardados do julgamento dos executores da Chacina de Unaí – o depoimento dos réus – aconteceu na noite de quinta-feira, 29 de agosto. O julgamento acontece em Bel Horizonte, na sede da Justiça Federal, presidido pela juíza substituta da 9ª Vara Federal, Raquel Vasconcelos.
O primeiro a falar foi Erinaldo de Vasconcelos Silva, que confessou a participação nos assassinatos. Ele contou que o fazendeiro Norberto Mânica, o “rei do feijão”, foi o mandante do crime e que dias depois da chacina o procurou para que matasse outras pessoas no Paraná, serviço que Erinaldo não aceitou fazer.
No dia anterior, Norberto Mânica já havia sido acusado de ser o mandante por Hugo Alves Pimenta, também acusado de envolvimento no crime. Ele prestou depoimento como informante no julgamento, no dia 28 de agosto. Norberto e Hugo serão julgados no dia 17 de setembro. Já o outro acusado, Antério Mânica, irmão de Norberto, ainda não teve seu julgamento marcado.
Erinaldo contou ainda sobre a participação de Rogério Alan Rocha Rios diretamente nas execuções, enquanto a função de William Miranda era auxiliar na fuga dos pistoleiros. De acordo com Erinaldo, foi ele mesmo quem convidou a dupla para participar dos assassinatos, logo que recebeu a proposta de Francisco Pinheiro, acusado de ser o agenciador e que faleceu em janeiro deste ano, em prisão domiciliar. “O Chico disse que tinha uma pessoa dando trabalho e queria que eu matasse”, contou. Segundo ele, Rogério Alan e William sabiam que o convite era para assassinar uma pessoa. O alvo era o Auditor-Fiscal do Trabalho Nelson José da Silva, mas como ele não estava sozinho, a ordem foi para matar todo mundo. Pelo serviço, Erinaldo recebeu cerca de R$ 50 mil, dos quais R$ 14 mil foram pagos a Alan e William.
Erinaldo já havia assumido as mortes, alegando que foi latrocínio. Neste novo depoimento ele afirmou que fez isso depois de receber uma proposta de Norberto Mânica para assumir sozinho o crime. "Recebi a proposta do Norberto dentro da cadeia. A gente ficava no mesmo pavilhão (citando a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte). Ele falou para eu assumir sozinho. Primeiro, me daria R$ 100 mil para eu assumir o crime em juízo. Quando chegou aqui (na Justiça Federal) ele aumentou. O valor de um caminhão com três anos de uso", disse, avaliando em cerca de R$ 300 mil a proposta.
De ladrão para mandante
Segundo Erinaldo, Rogério Alan também receberia cerca de R$ 150 mil, mas o dinheiro nunca foi pago a nenhum dos dois, o que resultou em uma carta supostamente escrita por Alan, endereçada a Norberto, cobrando tal promessa.
Rogério Alan também já havia confessado sua participação na chacina de Unaí em depoimento à Polícia Federal, mas seu advogado, Sérgio Moutinho, alegou que ele foi "coagido" e por isso, negaria o crime em novo depoimento. Nesta quinta-feira, ele se negou a responder as perguntas da acusação, disse apenas que não participou do crime, que não reconhecia o livro de registro do Hotel Athos, em Unaí, onde os três ficaram hospedados na véspera do crime, cuja página com sua assinatura foi arrancada, porém, deixando a outra folha, com o número de seu documento de Identidade, verdadeiro.
Já para seu advogado, ele disse que nunca esteve em Unaí e que no dia do crime, 28 de janeiro de 2004, estava em Salvador. Afirmou que dois dias antes participou da festa de aniversário de seu sogro, à época.
William Gomes de Miranda também usou o direito de permanecer calado e afirmou que foi ameaçado de morte, por isso tem medo de falar. Para seu advogado, o Defensor Público Celso Rezende ,ele confirmou que foi contratado para ser motorista de Chico Pinheiro.
A expectativa da juíza Raquel Vasconcelos é que a sentença saia nesta sexta-feira, após os debates entre defesa e acusação, que começaram por volta das 9h30. Até agora, fizeram suas exposições os procuradores do Ministério Público Federal Wladimir Aras e Míriam Lima e os advogados assistentes Francisco Rogério Del Corsi e Antônio Francisco Patente, que ainda não terminou sua oratória.