Chacina de Unaí – Encerrada a fase de depoimentos de testemunhas


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
29/08/2013



O julgamento de três réus da Chacina de Unaí entra em seu terceiro dia nesta quinta-feira, 29 de agosto. Nesta sessão do Tribunal do Júri estão sendo julgados os acusados de serem os pistoleiros que executaram os Auditores-Fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e o motorista Ailton Pereira de Oliveira. Os réus são Erinaldo de Vasconcelos Silva, Rogério Alan Rocha Rios e William Gomes de Miranda, que confessaram os crimes em depoimentos anteriores.


Em dois dias foram ouvidas 13 testemunhas e quatro informantes. Entre as testemunhas estiveram delegados da Polícia Federal e da Polícia Civil que conduziram as investigações que esclareceram o crime, e um investigador da Polícia Civil. Os depoimentos deles foram os mais longos e também os que deram mais detalhes sobre a arquitetura do crime, como foi montado o quebra cabeças com as peças recolhidas durante as diligências, levantamentos, cruzamentos de dados, escutas telefônicas, campanas, entre outras providências.


Testemunha da ameaça


Também depôs o Auditor-Fiscal do Trabalho Fábio Antônio Gomes Araújo (SRTE/MG), que estava presente em Unaí no dia em que Norberto Mânica ameaçou Nelson de morte, afirmando estar sendo perseguido pela fiscalização. Fábio participava da ação fiscal com os Auditores-Fiscais Joaquim Elégio (BH) e Nelson. Ele contou que, no escritório da empresa, Norberto Mânica os intimidou bloqueando a saída e empunhando um “chucho” – objeto pontiagudo usado para furar sacos de feijão e recolher amostras do produto. O fazendeiro somente recuou quando Joaquim Elégio telefonou para a chefia da fiscalização em Belo Horizonte e relatou o que estava acontecendo.


Segundo Fábio, naquela ação fiscal eles encontraram trabalhadores sem registro na fazenda de Celso Mânica e irregularidades nos alojamentos dos trabalhadores na fazenda de Norberto Mânica. Além de autos de infração pelas infrações trabalhistas, Norberto foi notificado por constrangimento à fiscalização e não apresentação de documentos.


A ameaça constou dos relatórios entregues à chefia da fiscalização por Fábio e Nelson, este com riqueza de detalhes.


Informantes


Os informantes foram Marinês Lina de Laia e Helba Soares, respectivamente, viúvas dos Auditores-Fiscais do Trabalho Eratóstenes e Nelson, além do réu colaborador Hugo Alves Pimenta e Paulo Rodolfo Rocha Rios, irmão do réu Rogério Alan.


Marinês deu um depoimento muito emocionado, em que descreveu o caráter de seu marido, a vida familiar, a dedicação ao trabalho e o sofrimento após o assassinato de Eratóstenes. Para ela, seu marido está sendo enterrado todos os dias, e a família só terá paz depois da condenação de todos os culpados.


Helba, por sua vez, descreveu os dias anteriores ao assassinato e o clima de ameaça que pairava sobre Nelson por parte de Norberto Mânica. Ela também falou sobre a rotina do Auditor-Fiscal no trabalho e que ele não costumava dizer onde ia fiscalizar. No dia do crime, ele saiu cedo com os colegas e pediu que ela fizesse um almoço para o retorno deles, que nunca aconteceu. Ela soube do assassinato por voltas das 10 horas da manhã, mas as primeiras informações era de que os servidores assassinados seriam de outro órgão público. Ela, porém, teve certeza de que se tratava dos Auditores-Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, o que foi confirmado em pouco tempo.


Helba, que continua morando em Unaí, afirmou que sua família foi intimidada por diversas vezes e ela fez denúncias à Polícia Federal. A dor da perda, segundo ela, não foi superada.


Ainda depuseram como informantes o réu colaborador Hugo Alves Pimenta, que confirmou que o fazendeiro Norberto Mânica foi mandante do crime (veja matéria em nosso site) e Rodolfo Rocha Rios, irmão do réu Rogério Alan.


Confirmando a tese da defesa de Rogério, Rodolfo disse que o réu estava em Salvador no dia do crime, trabalhando como motorista. A defesa pretende provar que ele não estava no local do crime.


Apresentação de provas


Encerrada a fase de depoimentos nesta quarta-feira, hoje estão sendo apresentadas as provas do Ministério Público Federal e da defesa dos réus ao Conselho de Sentença, formado por cinco mulheres e dois homens.


O momento mais aguardado é a oitiva dos réus, que ainda não tem previsão de horário para acontecer. A imprensa continua na cobertura do julgamento, porém, não é permitida a gravação de imagens e áudios da sessão.

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