42º ENAFIT – IA é uma ferramenta tentadora, mas precisa ser usada com cautela, é a análise dos painelistas Hader Azzini e Jefferson Toledo


Por: Solange Nunes
Edição: Andrea Bochi
17/09/2026



A rapidez e a aplicabilidade das respostas são tentadoras, mas a ferramenta de Inteligência Artificial precisa ser usada com cautela. Essa foi a avaliação do pesquisador e cientista de dados Hader Azzini e do Auditor Fiscal do Trabalho Jefferson de Morais Toledo (PB), durante o painel “A Inteligência Artificial (IA) aplicada à Auditoria Fiscal do Trabalho”. O tema foi debatido no dia 16 de setembro, como parte da programação técnica do 42º Encontro Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, realizado no Centro de Convenções Vitória, na capital capixaba. As apresentações foram mediadas por Magda Targino Maranhão (PB) e João Bosco Correia (TO).

Para Hader Azzini, cientista de dados, a aplicação da IA tem vários formatos, porque o Auditor Fiscal trabalha de diferentes maneiras, mas tudo o que pode auxiliar na análise de documentos é importante. “A IA pode contribuir para pegar vários documentos e usar esses dados a fim de montar uma linha cronológica sobre uma investigação de acidente”.

Outro uso frequente da ferramenta é a elaboração de redações de autos e minutas. “O Auditor Fiscal anota os dados principais de uma ação fiscal, e a IA pode desdobrar as informações”.

Segundo Hader, a IA também realiza a transcrição de áudios. “Quando os Auditores Fiscais vão à empresa, ouvem e gravam os relatos dos trabalhadores, esse áudio pode ser transcrito pela IA mais rápido do que ele faria essa transcrição”.

O pesquisador pontuou ainda que a IA tem diversos usos no dia a dia, tanto para a aplicação quanto para o planejamento da fiscalização. “Eles podem usar para planejar a fiscalização, decidir em qual empresa e como ir, até cronogramas da visita, o que fazer, o que checar, lista de itens”.

Pontos negativos

No entanto, nem tudo são vantagens. Há pontos negativos no uso da IA, lembrou Hader. “É que ela pode alucinar. Como tem necessidade de concordar com o usuário, caso esteja errado, ela vai concordar com o seu erro”. Por isso, continuou, é preciso ter cautela na hora de usar a IA, para não ser enganado pela ferramenta. “Ela deve ser usada como intermediário”.

Além disso, alertou, é preciso ter cuidado com as ferramentas de IA gratuitas. “Quando você a usa, os dados podem ser aproveitados para treinamento do sistema. Então, dependendo das informações sensíveis que você coloca ali, elas podem ser expostas mais tarde. Esse é o outro risco”.

Aplicada à Auditoria

Para o Auditor Fiscal Jefferson Toledo, a aplicação da IA no mundo da Auditoria Fiscal do Trabalho e da Inspeção do Trabalho pode ocorrer em diversas frentes. “A ferramenta pode ser utilizada pelos chefes, pelos coordenadores, para etapas de planejamento, como para os próprios Auditores Fiscais para a execução dos serviços de Auditoria”.

A IA também pode impactar o mundo do trabalho e ser utilizada, inclusive, contra a Inspeção do Trabalho. “Neste sentido, devemos estar sempre atentos aos riscos da utilização da IA contra a nossa atividade”.

Categorias


Versão para impressão




Assine nossa lista de transmissão para receber notícias de interesse da categoria.