No dia 28 de abril, data que marca o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes e Doenças do Trabalho, Cuiabá (MT) sediou o lançamento da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT 2026). O evento foi realizado pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso, em parceria com o SINAIT – DS/MT e o SESI-MT, reunindo representantes de instituições públicas, trabalhadores, empresas e organizações da sociedade civil. Neste ano, a campanha destacou os riscos psicossociais e os adoecimentos mentais relacionados ao trabalho, reforçando a necessidade de enfrentar a invisibilização desse problema nas organizações.
O Auditor Fiscal do Trabalho, diretor do SINAIT, e coordenador da CANPAT 2026 em Mato Grosso, Valdiney Antonio de Arruda, que atua na inspeção do trabalho desde 1996, enfatizou a importância de incorporar o tema à cultura institucional.
“É fundamental que trabalhadores e organizações, públicas e privadas, reflitam sobre como os ambientes de trabalho estão contribuindo para o adoecimento mental e comportamental. Para isso, é necessário identificar os riscos e estruturar planos de ação para mitigá-los”, afirmou.
Segundo o coordenador da CANPAT 2026, diante das novas exigências normativas, empresas e instituições precisam atualizar seus processos de gestão, com a realização de inventários que incluam os riscos psicossociais.
Na avaliação da Auditora Fiscal do Trabalho e presidente do SINAIT – DS/MT, Marilete Mulinari Girardi, o tema exige enfrentamento urgente e responsabilidade institucional.
“A NR-1 vem tratar de um problema que está cada dia mais grave. Não é mais possível deixar tantos casos de afastamento por doenças psicossomáticas como algo invisível. As empresas precisam se preocupar com esses fatores que têm impactado diretamente a saúde dos trabalhadores. Isso precisa ser enfrentado com responsabilidade. A CANPAT 2026 é um passo importante nesse sentido, e o SINAIT – DS/MT segue atuando para que essa pauta avance”, afirmou.
A programação contou com palestras de especialistas. A advogada, psicóloga e assistente social Dra. Alaíde Bruno, especialista em riscos psicossociais e desenvolvedora do Método VIDA, tratou sobre o avanço dos transtornos mentais no país.
“Em 2025, cerca de 545 mil trabalhadores foram afastados por questões de saúde mental, que já representam a terceira maior causa de afastamento do trabalho”, ressaltou. A pesquisadora também chamou atenção para a necessidade de adequação à Portaria nº 1.419/2024.
“Quando falamos de riscos psicossociais estamos falando de fatores organizacionais que podem levar ao adoecimento: a sobrecarga, as relações violentas, o assédio moral ou sexual. Além disso, consideramos também o apoio da liderança e dos colegas e a forma como a empresa se comunica”, explicou.
Também participou do evento a enfermeira do trabalho Sulwey Costa, coordenadora de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) no SESI, com atuação na gestão estratégica de programas de saúde ocupacional, destacando a importância da prevenção e da integração entre áreas.
Dados reforçam urgência
Os números evidenciam a dimensão do problema. No Brasil, os benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais passaram de 472.328 em 2024 para 546.254 em 2025 — um aumento de 15,66%. Em Mato Grosso, foram registrados 5.556 benefícios no mesmo período.
Em um cenário de transformações no mundo do trabalho, a campanha reforça que acidentes e doenças ocupacionais não se limitam a lesões físicas, mas incluem também quadros psíquicos que afetam diretamente a dignidade, a saúde e a capacidade laboral.
Mudança de paradigma
Para o Auditor Fiscal do Trabalho e superintendente regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso, Gerson Delgado, o conceito de prevenção precisa ser ampliado.