Por Andrea Bochi
Edição: Nilza Murari
Os dez empregados foram resgatados, na noite desta quarta-feira, 11 de julho, por equipe de Auditores-Fiscais do Trabalho, após denúncia feita no site do Ministério Público do Trabalho – MPT. Os procuradores comunicaram o fato à Superintendência Regional do Trabalho do Ceará – SRTb/CE, cujo coordenador regional de combate ao trabalho escravo é o Auditor-Fiscal do Trabalho Sérgio Carvalho.
Assim que foi informado sobre a denúncia, Sérgio montou uma equipe com quatro Auditores-Fiscais: Daniel Areia Leão Barreto, Gilberto Gomes Norberto, José Julio Gonçalves Pinheiro e Sérgio Santana Carvalho. Participaram ainda a procuradora do Trabalho Geórgia Aragão e dois Policiais Federais. Assim, surpreenderam a empresa de construção e reformas residenciais localizada a poucos metros da Câmara Municipal de Fortaleza. Os trabalhadores estavam num edifício abandonado, em condições precárias.
Os homens trabalhavam com reformas em apartamentos de luxo. Porém, a situação do local onde moravam era bem diferente. De acordo com os Auditores-Fiscais do Trabalho, os trabalhadores dormiam em redes e camas improvisadas, com chão ainda no reboco, cozinha suja e o lixo era depositado em uma vala. Havia um único banheiro para todos eles, apenas com um chuveiro. As necessidades fisiológicas eram feitas em um matagal próximo ao prédio abandonado, que servia de alojamento.
Os Auditores-Fiscais apuraram que alguns empregados moravam ali há pelo menos sete anos. Oito são naturais do município de Aracuiaba, um de Beberibe e um de São Luís do Curú, no interior do Ceará. Durante esse período, eles recebiam menos de um salário mínimo por mês e não tinham garantidos os direitos trabalhistas, como férias e 13º salário.
A equipe de fiscalização ainda não conseguiu identificar o proprietário da empresa, o verdadeiro empregador. “Ainda existe confusão em relação à verdadeira identidade do empregador, em razão de que as informações colhidas dos empregados são contraditórias às dos representantes da empresa que participaram de reunião com a equipe fiscalização esta manhã”, disse Daniel Barreto.
De acordo com os empregados, todos trabalhavam para uma determinada pessoa e recebiam tudo dessa pessoa. Porém, os responsáveis que representaram o empregador, na reunião na manhã desta quinta-feira, 12 de julho, informaram que a pessoa indicada não é empregadora. Apenas trabalha para a empresa responsável pela contratação dos trabalhadores.
Daniel Barreto informa que a ação fiscal continua e terá desdobramentos na próxima semana.