DS-RN: Seminário sobre Canpat foca em quedas por altura


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
28/05/2018



Por Nilza Murari, com informações da DS/RN


Cerca de 200 pessoas, entre profissionais e estudantes na área de Segurança e Saúde do Trabalho - SST, prestigiaram o Seminário da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho – Canpat 2018. O evento foi realizado no auditório da Universidade Potiguar – UNP, no dia 17 de maio, promovido pela Delegacia Sindical do Sinait no Rio Grande do Norte – DS/RN e outras entidades.


O seminário ocorreu pela manhã, com várias palestras proferidas por Auditores-Fiscais do Trabalho e por Médicos do Trabalho do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. O tema deste ano foi “Adoecimento Ocupacional e Quedas de Trabalho em Altura”.


O Auditor-Fiscal Carlos da Silva Pereira Júnior falou sobre trabalho em altura e destacou a mortalidade de acidentes na atividade. Em comparação com outros agentes causadores de acidente o número é alarmante. A média de mortalidade em acidentes em geral é de 35,77 a cada dez mil casos. Nos acidentes com queda de altura a mortalidade é de 64,17 a cada dez mil acidentes, quase o dobro. A cada 16 minutos e 48 segundos um acidente de trabalho envolvendo altura ocorre no Brasil.


Clóvis Antônio Tavares Emídio, também Auditor-Fiscal do Trabalho, apresentou em sua palestra as realizações da categoria no Estado. Em 2017 foram realizadas 4.437 ações fiscais, sendo 1.699 em SST. Número relevante, considerando a grande carência de profissionais no Ministério do Trabalho. Segundo a recomendação da Organização Internacional do Trabalho – OIT, deveria haver 200 Auditores-Fiscais trabalhando no Rio Grande do Norte. Mas, hoje, o contingente é de cerca de 50 pessoas, um quarto do necessário para um bom trabalho.


Acidentes de Trabalho e Reabilitação Profissional foi o tema desenvolvido por Marília Nobrega e Simone Dunke de Mello Pereira. Elas denunciaram o desmonte do sistema previdenciário e a dificuldade de fazer o trabalho de reabilitação profissional de acidentados e adoecidos pelo trabalho num cenário de poucos recursos no INSS.


O seminário contou também com a palestra “Prevenção de Acidentes e Doenças Ocupacionais”, proferida pelo Auditor-Fiscal Moisés Martins Júnior. Ele demonstrou a necessidade de mudar o paradigma da prevenção do acidente e da doença no trabalho da perspectiva individualista para a perspectiva coletivista. No primeiro caso, busca-se soluções individuais e responsabiliza o trabalhador pelo acidente ou adoecimento no trabalho. No segundo, busca-se primeiro as medidas de proteção coletiva e enxerga no ambiente de trabalho e no ritmo de produção as razões de adoecimentos e acidentes.


Segundo o Auditor-Fiscal do Trabalho Carlos da Silva Pereira Júnior, a Canpat tem o objetivo “de prover uma discussão com profissionais de SST, trabalhadores, empresários e a sociedade em geral, sobre a necessidade de prevenção de acidentes e doenças do trabalho. Anualmente, milhares de trabalhadores são vítimas de acidentes com sequelas, muitas vezes permanentes, e morte. De 2012 até 2017 cerca de 4 milhões de trabalhadores foram vitimados em acidentes do trabalho, com 14,5 mil mortes e 26 bilhões de reais em despesas com benefícios previdenciários”.


Clóvis Emídio afirmou que a proposta é “ampliar a Campanha e levar esse seminário para outras regiões do RN, como Mossoró, Pau dos Ferros e o Seridó, assim levando a mensagem de prevenção para outros profissionais do Estado”.


Questionado sobre a relevância desse tipo de evento, o participante José Jaime, técnico de SST, afirma que “ele tem a importância de divulgar a cultura de segurança. Os eventos de segurança do trabalho aqui no RN têm sido constantes e isso é bom. Essa divulgação só vem a acrescentar na área de SST”.


O militar Jack Douglas Félix Ferreira, da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - Cipa, afirma que foi “muito boa a experiência passada pelos palestrantes, muita coisa nova que não tinha conhecimento, palestrantes muito experientes na área de SST e prevenção”. Ele destaca a importância do evento, afirmando que “é necessário para que a gente valorize mais a prevenção, os estudos, para que se evite acidentes, é melhor prevenir do que cuidar do acidentado”.

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