Nordestinos ficaram por 15 dias vivendo e trabalhando em condições degradantes
Por Lourdes Marinho
Edição: Nilza Murari
Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram cerca de 60 trabalhadores, na Região Norte do Espírito Santo, em condições análogas à escravidão, em uma fazenda localizada no município de Pinheiros.
Os trabalhadores foram recrutados em cidades na Região Nordeste para trabalhar na colheita do café Conilon no Estado. Quando foram encontrados estavam há aproximadamente 15 dias vivendo e trabalhando em condições degradantes, sem contrato formalizado e sem receber salários.
O resgate foi feito por uma equipe de quatro Auditores-Fiscais do Trabalho na quinta-feira, 17 de maio. Participaram Afonso Celso Passos Costa Gonçalves, Hugo Tallon Filho, Klinger Moreira e Sandro Rogério Ribeiro de Castro. Os trabalhadores foram levados para a cidade de São Mateus, onde ainda aguardam os Auditores-Fiscais concluírem a ação e as negociações com a empresa para que sejam efetuados os pagamentos e emitidas as guias para recebimento de Seguro-Desemprego.
De acordo com a chefe da Fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho no Espírito Santo – SRT/ES, Cláudia Bermudes, os trabalhadores vieram da Bahia, de forma irregular. Foram aliciados para trabalhar na colheita de café no Estado com promessa de ter a Carteira de Trabalho assinada, bom salário e alojamento digno, o que não se concretizou. A fazenda onde trabalhavam fica no município de Pinheiros; o alojamento, em Pedro Canário.
“A casa em que eles ficavam não tinha nenhuma condição física para recebê-los, sem móveis, geladeira ou cama. Eles tinham que dormir no chão, amontoados”, diz Cláudia Bermudes.
Outra dificuldade era com a alimentação, que deveria ser fornecida pelo empregador, mas era vendida. “A marmita que eles recebiam era cobrada pelos patrões”, informa a chefe da Fiscalização do Trabalho. Os resgatados também não tinham nenhum equipamento de proteção para realizar a atividade no campo, como luvas ou roupas adequadas.
Retorno
Além de acertar os valores, a empresa também terá que contratar um ônibus para que os resgatados retornem às cidades de origem, bem como providenciar a alimentação dos mesmos. Nem a empresa nem os donos da fazenda tiveram os nomes divulgados pela fiscalização, uma vez que a ação ainda está em andamento.
De acordo com Cláudia, a previsão é que os trâmites legais sejam finalizados para a liberação dos resgatados ainda nesta quarta-feira, 23.
“Os Auditores-Fiscais estão fazendo toda a documentação desses trabalhadores na Agência Regional do Trabalho e Emprego de São Mateus para que os pagamentos possam ser feitos e eles retornem à cidade de origem no Nordeste. É um procedimento que faz parte do trabalho de resgate, regularizar a situação desses trabalhadores para que possam receber os salários e o Seguro-Desemprego”, explica.
Com informações de A Gazeta e da SRT/ES.