Por Solange Nunes
Edição: Nilza Murari
A diretora de Comunicação Social do Sinait, Ana Palmira Arruda Camargo, participou do lançamento da Teia de Comunicação Popular do Brasil que ocorreu nesta quinta-feira, 15 de março, dentro da programação do 13º Fórum Social Mundial 2018, no Campus de Ondina, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador (BA). O projeto em construção parte da experiência acumulada ao longo de 25 anos do Núcleo Piratininga de Comunicação – NPC.
No início da sessão, a vereadora carioca Marielle Franco (PSOL/RJ), assassinada na noite de quarta-feira, 14 de março, no Rio de Janeiro, foi lembrada e homenageada. Pedidos de justiça impulsionaram o debate durante o lançamento.
De acordo com Cláudia Santiago, coordenadora do NPC, a ideia da Teia é criar uma rede de solidariedade de comunicação popular que será alimentada pelos movimentos populares e entidades sindicais. “O objetivo é mapear, mobilizar, potencializar e estimular a articulação de diferentes iniciativas de comunicação popular, espalhadas pelo país e dar mais publicidade às reivindicações e lutas sociais dos cidadãos”.
Experiências
Durante o lançamento, representantes de entidades comentaram suas ideias para ajudar nesta nova troca de experiências. Ana Palmira apresentou o projeto de história em quadrinhos produzida pelo Sinait para denunciar o trabalho escravo no Brasil e a luta dos Auditores-Fiscais do Trabalho para acabar com esta chaga.
Ela explicou a atuação dos Auditores-Fiscais que, ao resgatar trabalhadores, impulsionam uma rede de proteção para dar dignidade para essas pessoas. Comentou ainda sobre um resgate realizado por uma Auditora-Fiscal que viu uma bota deixada no local. “O trabalhador resgatado explicou que um colega havia sido enterrado embaixo daquela bota. Caso alguém tentasse fugir como ele, o destino seria o mesmo”.
Segundo Ana Palmira, esta e outras vivências em ações fiscais colocaram os Auditores-Fiscais como porta-vozes dos trabalhadores. “Atuamos no Sindicato em duas frentes: na defesa da categoria e denunciando os abusos sofridos por trabalhadores no campo e na cidade”. Ela aproveitou para divulgar o site www.trabalhoescravo.com.br.
Ações coordenadas
Cláudia Santiago, que mediou as exposições, reforçou a importância da troca de experiências na área de comunicação das entidades, que já produzem muitos materiais e conteúdos, que precisam ser compartilhados e multiplicados. “A comunicação precisa ser pensada no sentido de fortalecer a organização popular e potencializar o diálogo dos grupos envolvidos. Tudo isso, numa rede de solidariedade e resistência”.
Wesley Lima, coordenador-nacional do setor de comunicação do Movimento dos Sem-Terra, disse que o processo da democratização da comunicação faz parte de uma luta política. Enfatizou a relevância de pensar os caminhos: comunicação interna – famílias e grupos de base – e externa – com a sociedade.
Ubiratan Félix, da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros – Fisenge, declarou a importância do segmento da notícia. “Precisamos nos focar nos parceiros e em nossas pautas para fortalecer este sistema de rede de solidariedade”.
Os debates e sugestões foram intercalados com manifestações de entidades lamentando o assassinato da vereadora Marielle Franco. Poesias foram recitadas, moções sugeridas e propostas de ações de resistência contra impunidade apresentadas.