14 anos da Chacina de Unaí: Entidades cobram celeridade da justiça


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
24/01/2018



Por Solange Nunes


Edição: Nilza Murari


O Sinait realizou nesta quarta-feira, 24 de janeiro, o Ato Público “Quanto tempo mais vamos esperar?”, que marcou os 14 anos da Chacina de Unaí, em frente ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília (DF). Autoridades, representantes sindicais e Auditores-Fiscais do Trabalho de todo o país pediram justiça e celeridade na tramitação dos recursos dos mandantes e intermediários, já condenados, mas que permanecem em liberdade.


Carlos Calazans, ex-Delegado Regional do Trabalho de Minas Gerais na ocasião das mortes, lembrou-se da data e, emocionado, lamentou o fato dos mandantes continuarem soltos. “Há 14 anos, vidas foram perdidas; muita coisa se passou, tive netos, já estou com 60 anos. A vida segue, mas, as famílias desses colegas não conseguiram seguir o curso normal”.


Ele enfatizou que quatro brasileiros, quatro servidores públicos do Estado Brasileiro, deixaram suas famílias para realizar uma fiscalização de rotina numa fazenda no interior do Brasil e perderam suas vidas. “Não podemos aceitar estas perdas. Há 14 anos protestamos. Quero agradecer às viúvas e ao Sinait por insistir e não esmorecer nesta luta”.


A vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho – ANPT, Ana Cláudia Monteiro, afirmou que a entidade é parceira do Sinait nesta e em várias outras lutas. “Lamentamos a morte dos quatro brasileiros que foram covardemente assassinados no dia 28 de janeiro de 2004”.


Ela declarou ainda, em nome dos Procuradores do Trabalho de norte a sul do país, que participar do ato é uma questão de honra. “Como agentes públicos temos a obrigação, o direito e o dever de clamarmos por justiça, principalmente, neste caso, que é emblemático e mostra a covardia de criminosos e também a fragilidade de um Estado que não consegue dar segurança para os seus servidores fazerem seu trabalho. O fato revela um engendramento frágil que resultou nesta tragédia”.


De acordo com o presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central - Sinal, Jordan Alisson Pereira, o ato é uma ação importante da categoria da qual sua entidade não poderia ficar de fora. “É necessário protestar contra a omissão do Poder Judiciário, porque já se passaram 14 anos e não se tem uma resposta para este crime brutal”.


Jordan Pereira disse que a omissão não atinge apenas os familiares das vítimas, mas cada servidor que busca agir com dignidade. “A omissão atinge os servidores e colegas do Trabalho, do Banco Central, do Tribunal Regional Federal. Qualquer colega se incomoda quando outro colega é assassinado fazendo o seu dever, procurando defender a sociedade brasileira. Esse crime atinge toda a sociedade”.


Sérgio Voltolini, presidente da Confederação Iberoamericana de Inspetores do Trabalho – CIIT, lembrou que o Brasil é notícia no mundo por causa do julgamento do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira, 24. No entanto, destacou ele, o crime que foi contra o povo brasileiro e o trabalhador brasileiro não é notícia dos portais. “Não podemos esquecer que quatro trabalhadores foram mortos por tentar proteger outros trabalhadores. É um crime contra a humanidade, contra o pobre e contra o trabalhador. Não vamos esquecer e nem deixar de protestar e pedir Justiça”.


João Francisco Araújo, representante do Ministério dos Direitos Humanos – MDH e coordenador da Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo – Conatrae, disse que a data é marcante e registra impunidade. “É um absurdo que tenha se passado tanto tempo e até agora seja necessário cobrar por justiça”. Ele declarou ainda que o Ministério é solidário com a luta dos Auditores-Fiscais do Trabalho. “Esperamos que a justiça seja feita”.

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