35º Enafit – Carta de Natal denuncia retirada de direitos de servidores públicos e trabalhadores


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
15/09/2017



Por Nilza Murari


A Carta de Natal, documento síntese do 35º Encontro Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho – Enafit, foi aprovada na manhã desta sexta-feira, 15 de setembro, em plenária do evento, realizado em Natal (RN). O texto foi apresentado por Virna Dasmasceno, presidente do Encontro, e, em seguida, colocado em discussão.


O documento contempla o contexto das discussões realizadas durante o Encontro, que reafirmaram o repúdio à reforma trabalhista e às medidas de desmantelamento do serviço público, especialmente os cortes no orçamento da Auditoria-Fiscal do Trabalho, que comprometem serviços essenciais prestados à população.


Confira o texto aprovado pelos enafitianos e que será divulgado pelo Sinait e suas Delegacias Sindicais em todo o país.


 


Carta de Natal


Os Auditores-Fiscais do Trabalho, reunidos na cidade de Natal (RN), de 10 a 15 de setembro de 2017, durante seu 35º Encontro Nacional, dirigem-se à sociedade brasileira para manifestar sua indignação quanto aos rumos da política adotada pelo governo nos últimos meses, que impõem aos trabalhadores a perda de seus direitos e o desmonte dos serviços públicos.


A desconstrução do sistema protetivo trabalhista, a dita “reforma trabalhista”, aprovada a toque de caixa no Congresso Nacional, pretende autorizar a terceirização na atividade-fim, a prevalência do acordado sobre o legislado, o trabalho intermitente; estimula a contratação do trabalho temporário e por tempo parcial, a pejotização e a contratação do trabalho autônomo exclusivo e contínuo, além de obstruir o acesso dos trabalhadores à Justiça. Ela retira e flexibiliza direitos, expondo os trabalhadores a condições precárias de trabalho e vida.


Mas ela não para por aí. Outros projetos em trâmite no Congresso Nacional caminham no mesmo sentido, como o PLS 432, de 2013, que propõe alterar o artigo 149 do Código Penal brasileiro e excluir os conceitos de “jornada exaustiva” e “condições degradantes” da caracterização do trabalho escravo contemporâneo. Todas essas medidas são contrárias ao projeto constitucional de uma sociedade livre, justa e solidária. Entretanto, os Auditores-Fiscais do Trabalho reafirmam os princípios e garantias constitucionais para manter a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores.


A reforma previdenciária apresentada pelo governo também coloca a crise econômica na conta do trabalhador. Não é aceitável uma reforma que, entre outras indignidades, aumenta o período de contribuição para que o trabalhador faça jus à aposentadoria. Ela ainda não considera as condições especiais das trabalhadoras, dos trabalhadores rurais e com deficiência, fazendo com que, contra esses, a reforma represente ataque ainda mais contundente. Assim, a reforma da Previdência é mais uma afronta aos direitos de todos os trabalhadores do país, tendo o claro objetivo de por fim à previdência social pública em favor da previdência privada.


O desmonte do Estado também ataca em cheio a vida do povo brasileiro. A PEC do teto dos gastos (PEC 55) impôs limite aos investimentos públicos para os próximos vinte anos. Isso, inevitavelmente, implica diminuição do orçamento destinado a serviços públicos, como saúde, educação e assistência social. Seu impacto sobre a política de valorização do salário mínimo contribui para aprofundar a histórica desigualdade social existente em nosso país. O congelamento de gastos públicos prejudica toda a população brasileira, levando ao aumento da pobreza, da exclusão social, da violência e do desemprego.


Os prejuízos para a Auditoria Fiscal do Trabalho já se fazem sentir. O corte orçamentário para a fiscalização e o desmantelamento do Ministério do Trabalho impactam e impõem péssimas condições de trabalho. Até mesmo o combate ao trabalho escravo e ao trabalho infantil realizado pelos Auditores-Fiscais do Trabalho de forma ininterrupta nos últimos 22 anos, corre sérios riscos de paralisação total. Há unidades do Ministério do trabalho interditadas e servidores sem condições de desempenhar suas funções adequadamente.


Ao mesmo tempo em que tudo isso se apresenta, o recém-lançado pacote de privatizações aprofunda o processo de desnacionalização da economia brasileira significa perda de soberania nacional e expõe os trabalhadores a incertezas e angústias. É inaceitável vender patrimônio público estratégico para cobrir déficit orçamentário, ainda mais em momento de crise econômica, quando os ativos estão desvalorizados.


Tudo isso, em frontal desrespeito à vedação do retrocesso social, insculpida no artigo 26 do Pacto de San José da Costa Rica, do qual o Brasil é signatário, bem como à diretriz constitucional de melhoria das condições sociais dos trabalhadores, expressa no caput do artigo 7º da Constituição da República Federativa do Brasil.


Sendo assim, diante dessa grave situação, os Auditores-Fiscais do Trabalho se manifestam em favor da necessidade de ações que conduzam à construção de um país mais justo, menos desigual. E para isso, se faz imprescindível lutar contra quaisquer iniciativas que representem ataque ao Estado Brasileiro e a seu povo. Qualquer governo que proponha essas medidas não passará ileso aos embates da categoria!


Natal, 15 de Setembro de 2017

Categorias


Versão para impressão




Assine nossa lista de transmissão para receber notícias de interesse da categoria.