Por Solange Nunes
Edição: Nilza Murari
Auditores-Fiscais do Trabalho, integrantes do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal resgataram, no dia 1º de setembro, dez lavradores mantidos em condições análogas às de escravos numa fazenda em Uruçuca, no sul da Bahia.
De acordo com o Auditor-Fiscal Trabalho Alessandro de Barros Pazuello, as condições dos trabalhadores da fazenda eram precárias. “Do ponto de vista de água, de banheiro, de higiene do alojamento, tudo muito ruim. Além das condições gerais de trabalho, equipamentos de proteção e principalmente de salário, porque o pessoal estava ganhando abaixo de meio salário mínimo”, afirmou.
Um dos trabalhadores resgatados contou que vivia em desespero. “Chorava. Chorava muitas vezes, e me apegava à palavra de Deus, para poder o socorro vir até nós”, falou.
O trabalhador disse que durante um ano e meio ele, a mulher e quatro filhas passaram os dias sem banheiro, nem água potável. Além disso, tinham que improvisar o banho em uma represa e, para beber, pegavam água numa cisterna suja.
Além dele, mais nove trabalhadores, alguns solteiros, outros com famílias, enfrentavam essa mesma realidade.
Depois de resgatados, os trabalhadores vão receber três parcelas de Seguro-Desemprego, e alguns vão para o Centro de Referência de Assistência Social - Cras de Itabuna.
Segundo o Auditor-Fiscal do Trabalho, o dono da fazenda vai responder por crime de trabalho escravo. “A gente vai proceder com a rescisão dessas pessoas. Se a empresa quiser contratá-los, vai ter que fazer da forma correta. A empresa vai ser autuada, vai ser gerada uma multa. Também vai ser gerado um relatório para o Ministério Público do Trabalho, e a empresa vai responder por crime do ponto de vista de submeter o trabalhador à condição análoga à de escravo”, explicou Pazuello.
Com informações do G1 Bahia e MTb.