Artigo de Auditor-Fiscal critica reforma trabalhista


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
20/07/2017



 


O Auditor-Fiscal do Trabalho José Costa Dias Irmão, do Piauí, repreende por meio do artigo intitulado “A reforma trabalhista e o cérebro doente da elite capitalista brasileira” a obsessão da elite dominante para fazer uma reforma trabalhista que pretende regularizar a volta da escravidão ao país.


Ele argumenta que o objetivo do empresariado é o de aumentar cada vez mais seus lucros, em detrimento da classe trabalhadora. Segundo José Costa, a reforma quer apenas disseminar o retrocesso social e a falência total da história.


 


Leia abaixo o artigo de José Costa Dias Irmão.


 


A Reforma trabalhista e o cérebro doente da elite capitalista brasileira


Por José Costa Dias Irmão – Auditor-Fiscal do Trabalho – SRT/PI


Gostaria de fazer um apelo a algum neurocientista de plantão para estudar o cérebro doente dos “empresários” brasileiros. É que só a neurociência pode explicar a obsessão da elite dominante para fazer uma reforma trabalhista.


Em toda a história da ciência jurídica, não se tem notícias de tamanho retrocesso em algum ramo do Direito quanto o que os donos do capital querem impor ao Direito do Trabalho no Brasil. Essa história de dizer que a CLT é antiga é uma tremenda falácia. Quem disse que lei velha não é lei boa? Lei boa é a que se cumpre. Lei não dá ferrugem, não apodrece e, em regra, não tem prazo de validade. Lei é como vinho, quanto mais velho, melhor. A lei velha já está com sua interpretação sedimentada e pacificada pelos tribunais, é incontestável.


Esses direitinhos mínimos, que estão elencados na chamada CLT arcaica, para chegarem ao estágio de reconhecimento que chegamos, foram fruto de um longo processo de luta e de maturação histórica. De arcaico aí, só existe mesmo o descumprimento desenfreado da legislação obreira.


Não se deve perder de vista que no Brasil em que vivemos hoje ainda existe trabalho escravo. Isto é que se pode chamar de arcaico. Só falta os reformistas apresentarem uma proposta de reforma da Bíblia, alegando que o documento sagrado está ultrapassado e é responsável pelo desemprego no Brasil. O que eles querem mesmo, com a tal reforma, é regularizar a volta da escravidão em nosso país, a fim de aumentar cada vez mais seus lucros, em detrimento da classe trabalhadora.


A história mostra que foi a indiferença com os problemas sociais que geraram as reivindicações e muitas pressões decorrentes de vários fatores para forçar o Estado a assumir um papel mais ativo na realização de uma justiça social. A reforma trabalhista que querem implantar no Brasil significa o retrocesso total da história. É a volta ao Estado liberal.

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