O trabalho escravo em oficinas de costura clandestinas, que costuram para grandes marcas e empregam trabalhadores bolivianos em condições precárias e degradantes foi o tema do programa Câmera Record exibido no dia 16 de fevereiro, pela TV Record, em rede nacional.
Os repórteres e produtores fizeram três meses de investigações no Brasil, em São Paulo, e na Bolívia, em La Paz e El Alto, de onde partem a maioria dos bolivianos, com promessas de trabalho digno e vida melhor. As promessas revelam-se falsas e eles encontram prisão, longas jornadas de trabalho, ameaças e dívidas. O modus operandi não é diferente do que já é encontrado pelos Auditores-Fiscais do Trabalho desde meados da década de 1990, em fazendas do interior do país.
Renato Bignami, coordenador das ações de combate ao trabalho escravo em São Paulo, foi um dos entrevistados pelo programa. Ele viu vídeos, recebeu denúncias e esclareceu como é a rede de trabalho escravo no setor da confecção. Ele também denunciou a falta de Auditores-Fiscais do Trabalho para fazer uma fiscalização eficiente, capaz de mudar a realidade da exploração dos trabalhadores no Estado de São Paulo. Atualmente são quatro Auditores-Fiscais do Trabalho para fazer a repressão ao trabalho escravo. Para Bignami, seriam necessários pelos menos 40 Auditores-Fiscais para que o cenário comece a mudar.
No site do programa, uma página geral apresenta os links para os blocos do Câmera Record.
Os blocos podem ser vistos separadamente.
Boliviana conta como enfrentou a rota da escravidão e abusos em São Paulo
Câmera Record explica como empresas clandestinas trabalham para lojas de marcas famosas
Agências bolivianas empregam cerca de 100 mil trabalhadores em condições escravas no Brasil