PA: Protesto dos Auditores-Fiscais marcou a posse do Superintendente Regional do Trabalho


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
05/02/2016



Auditores-Fiscais do Trabalho do Estado do Pará protestaram, na manhã desta sexta-feira, 5 de fevereiro, contra a posse do novo superintendente Regional do Trabalho e Emprego, o ex-deputado federal do PT Esmerino Neri Batista Filho, conhecido como " Miriquinho ".


O ex-deputado responde a vários processos administrativos e penais, inclusive sobre fraude no Seguro-Desemprego, o que motivou o protesto de repúdio dos Auditores-Fiscais durante a solenidade, por se sentirem desrespeitados e afrontados com a nomeação.


A solenidade de posse, que deveria ocorrer na sede da Superintendência Regional do Trabalho, foi realizada na sede do Banco da Amazônia – BASA em razão da interdição do prédio, que já dura dois anos. A medida foi tomada pelos Auditores-Fiscais do Trabalho devido às condições precárias em que se encontrava a sede da Superintendência. Esta situação causou constrangimento aos servidores da SRTE/PA, que trabalham mal alojados em dois prédios alugados e que também não oferecem condições de trabalho aos servidores e de atendimento à população.


Cobrança ao MTPS


Logo na entrada do prédio do BASA o secretário-Executivo do Ministério do Trabalho e Previdência Social - MTPS, Cláudio Puty, representando, na ocasião, o ministro Miguel Rossetto, foi abordado pelos Auditores-Fiscais que fizeram um "corredor polonês" na porta principal, fazendo com que os convidados tomassem conhecimento do protesto dos servidores.


Puty ouviu dos diretores do Sinait, Rosângela Rassy e Orlando Vila Nova, e do Delegado Sindical, Otavio Paixão, um pedido de providências urgentes para solucionar a questão do prédio interditado. Os diretores cobraram ainda o posicionamento do MTPS em relação ao apoio necessário à pauta remuneratória e não remuneratória dos Auditores-Fiscais, nas negociações da Campanha Salarial em curso.


O secretário disse que o MTPS apoia a pauta da categoria e, diante dessa afirmativa, os dirigentes cobraram a formalização desse apoio ao Ministério do Planejamento.


Corregedoria


Questionado quanto às notícias de que o cargo de chefia da Corregedoria do MTPS deixaria de ser ocupado por um Auditor-Fiscal do Trabalho, o secretário confirmou a informação alegando que o órgão atenderá tanto os processos de servidores do então Ministério do Trabalho e Emprego e como do Ministério da Previdência Social. Diante disso, segundo Cláudio Puty, é importante que o chefe da Corregedoria seja alguém de fora do quadro de servidores do MTPS.


A diretora Rosângela contestou o posicionamento do MTPS e disse ao secretário que os Auditores-Fiscais do Trabalho não aceitarão ser “julgados” por pessoas que não integram a carreira. “É preciso que as diligências sejam conduzidas e os processos administrativos sejam apreciados por nossos próprios pares. É assim que acontece na Advocacia Geral da União - AGU. Somos integrantes de carreira típica de Estado e exigimos o mesmo tratamento também nesta questão da organização da Corregedoria. Queremos Corregedoria própria para os Auditores-Fiscais do Trabalho”, protestou Rosângela.


Diante das inúmeras perguntas dos representantes da categoria, o secretário-Executivo se comprometeu a participar brevemente de uma reunião com os Auditores-Fiscais do Trabalho do Pará, a ser agendada por ele.


Protesto Silencioso


Os Auditores-Fiscais do Trabalho entraram no auditório de forma silenciosa e lá permaneceram com os braços cruzados, em pé e de frente para o público. Logo após a composição da mesa e audição do Hino Nacional se retiraram ainda em silêncio e em fila, em protesto à posse de "Miriquinho".

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