Márcia Albernaz será homenageada com o prêmio João Canuto do MHuD


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
11/12/2015



Márcia Albernaz de Miranda, Auditora-Fiscal do Trabalho do Rio de Janeiro, receberá o prêmio João Canuto, concedido pelo Movimento Humanos Direitos – MhuD, no dia 14 de dezembro, às 19 horas, no Teatro II CCBB, na capital carioca. Márcia será homenageada como reconhecimento por sua atuação nos casos de libertação de trabalhadores chineses submetidos à máfia do trabalho escravo durante fiscalizações no Rio.


Criado em 2004, há onze anos o prêmio João Canuto é outorgado durante o Fórum dos Direitos Humanos a pessoas ou instituições que mais se destacaram no ano por alguma causa na defesa dos direitos humanos.


Durante o evento, haverá também o lançamento de dois livros: “A universidade discute a escravidão contemporânea: práticas e reflexões” e “Direitos humanos no Brasil 2015”.


Participarão da cerimônia diretores do Sinait, representantes da Delegacia Sindical do Sindicato no Rio e Auditores-Fiscais do Trabalho cariocas.


Quem foi João Canuto


Após várias ameaças de morte, o dirigente sindical João Canuto foi assassinado com 18 tiros, no dia 18 de dezembro de 1985. Ele era perseguido principalmente por sua luta pela reforma agrária. O crime foi planejado por um grupo de fazendeiros do sul do Pará, entre eles Adilson Carvalho Laranjeira, fazendeiro e prefeito de Rio Maria na ocasião do assassinato, e Vantuir Gonçalves de Paula.


O inquérito foi concluído oito anos após a ocorrência do crime. A denúncia foi feita pelo Ministério Público apenas em 1996. Um ano depois, sob ameaça da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos - OEA de condenar o governo brasileiro pela demora na apuração dos fatos, o andamento do processo foi agilizado.


Em 1999, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana devido à lentidão na apuração do caso. Sob pressão de organizações de direitos humanos, em 2001, os dois acusados foram pronunciados como mandantes do assassinato. Vale ressaltar, entretanto, que a perseguição e violência contra os trabalhadores rurais continuam na região. Cinco anos após a morte de Canuto três de seus filhos, Orlando, José e Paulo, foram sequestrados e dois deles foram assassinados. Orlando sobreviveu, mas ficou gravemente ferido. Expedito Ribeiro, sucessor de Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991. Um mês depois, Carlos Cabral, sucessor de Ribeiro e genro de Canuto, foi ferido num atentado a bala.

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