Chacina de Unaí – iniciado julgamento do réu delator Hugo Pimenta


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
10/11/2015



Iniciado nesta terça-feira, 10 de novembro, o julgamento do réu delator Hugo Alves Pimenta, o sétimo e último réu, acusado de ser intermediário na contratação de pistoleiros para a execução do assassinato de três Auditores-Fiscais do Trabalho e um motorista do Ministério do Trabalho e Emprego, durante fiscalização na área rural do município de Unaí (MG).


Esta é a terceira semana seguida de julgamentos dos réus da Chacina de Unaí, em Belo Horizonte. Já foram julgados os mandantes Antério e Norberto Mânica e o intermediador José Alberto de Castro, todos condenados a aproximadamente 100 anos cada. Em razão da delação premiada, Hugo está sendo julgado por último.


Na abertura da sessão, o Conselho de Sentença foi composto por quatro mulheres e três homens, que serão os responsáveis por dar o veredicto de culpado ou inocente. Onze testemunhas de acusação deverão ser ouvidas, entre elas, duas viúvas, Helba Soares e Marinez Lina de Laia, e o Auditor-Fiscal do Trabalho Joaquim Elégio de Carvalho. O advogado de defesa do réu, Lúcio Adolfo, declarou ter dispensado as testemunhas de defesa, por acreditar que não há nada mais a ser dito. A sessão está sendo realizada na Justiça Federal de Belo Horizonte (MG).


Com atraso de mais de uma hora, o julgamento iniciou com o depoimento do Delegado da Polícia Civil, Wagner Pinto, que relatou os acontecimentos apurados durante investigação que, segundo ele, durou cerca de seis meses e apontou Hugo Pimenta como a “ponte” entre os executores e o mandante Norberto Mânica.


De acordo com o delegado, a posição de Hugo é de intermediário do crime, solicitando ao José Alberto a contratação dos pistoleiros. Ele relatou que após a execução foi registrada uma sequência de ligações telefônicas iniciada por Erinaldo Vasconcelos – pistoleiro – e, um minuto depois, ligação para o José Alberto de Castro, o Zezinho. Em seguida, deste para Hugo e dele para Norberto Mânica.


Apesar de se dizer amigo dos mandantes, à época do crime, o réu fez um acordo de delação com a Justiça em 2007 e foi arrolado como testemunha de acusação. Com isso, ganhou o direto à liberdade provisória e também à redução em dois terços da pena, caso seja condenado. Ele teve o julgamento desmembrado durante a primeira sessão, no dia 27 de outubro, após um pedido da defesa, que argumentou que o réu não poderia ser julgado no mesmo júri em que também participaria como testemunha.


Em seus depoimentos Hugo Pimenta tentou isentar Antério Mânica e disse que recebia diariamente a visita do fazendeiro Norberto Mânica em sua empresa e que ele sempre demonstrava insatisfação com as fiscalizações do Auditor-Fiscal Nelson José da Silva. Segundo Pimenta, um dia Norberto disse que o mundo era pequeno para ele e o Auditor-Fiscal e que iria matá-lo, questionando se o empresário conhecia “alguém para fazer o serviço”. Disse que comentou o fato com outro amigo, José Alberto de Castro, que se ofereceu para “resolver o problema”. Segundo ele, Francisco Helder Pinheiro, que morreu antes de ser julgado, foi o agenciador dos pistoleiros e era amigo de José Alberto.


Ao depor como testemunha, na manhã desta terça-feira, o Auditor-Fiscal do Trabalho Joaquim Elégio de Carvalho, relatou fiscalização realizada no ano anterior ao crime, em fazendas dos Mânicas, ocasião em que foram ameaçados por Norberto Mânica com o instrumento pontiagudo chamado “calador” ou “chucho”. “Disse que só teria sossego quando desse um tiro na testa de fiscal do trabalho”, relatou.


“Quando tentei sair da sala ele bloqueou a saída e não pude passar, pois mantinha o instrumento na mão em posição de ameaça”, disse Joaquim Elégio. O Auditor-Fiscal disse ter-se reportado no momento da ameaça ao então Delegado do trabalho, em Belo Horizonte, e que fez o auto de infração relatando a ameaça sofrida por ele e mais dois colegas Auditores-Fiscais do Trabalho.


Os depoimentos das testemunhas de acusação continuam. Há a expectativa de que o julgamento seja concluído ainda nesta terça-feira. A presidente do Sinait, Rosa Jorge, Diretores e Delegados Sindicais da entidade e Auditores-Fiscais do Trabalho mineiros fizeram uma manifestação antes do início da sessão, do lado de fora do Tribunal de Justiça, e acompanham o julgamento dentro do plenário.


Os procuradores federais Miriam Lima, Bruno Magalhães e Hebert dos Reis Mesquita atuam como promotores no caso. O juiz Murilo Fernandes preside a sessão.

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